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A R E D E

Publicado em 04-09-17
por Antônio Russi

Final do século XX. Empresários de todo o mundo, políticos, cientistas sociais, líderes comunitários, ativistas, artistas - estes pobres alienados do cotidiano., Também eles? Também. Não são os artistas avessos à ciência dos números nem da economia de mercados, benze ó Deus?! Também eles envolvidos, pude averiguar. E mais, outros mais, ninguém escapou à sanha, quereria dizer, à dança dos números. Todos, todos pandemicamente envolvidos, aliciados, engodados. E a relação deles cresceu, Intumesceu, era um nunca acabar, Satã os tragara a todos, dois olhos terríveis. Homens e mulheres de raro faro , sem traços de genialidade, todos à uma atraídos impiedosamente pela onda avassaladora dos números. Algo de novo, ameaçador, estava acontecendo n o mundo, algo grande e forte que iria fatalmente sacudir os alicerces do status quo reinante até então. Algo que prometia mexer fundo com as bases democráticas, com a integração social, talvez inverter o establishment, sabe Deus o que mais.

Era um extraordinário movimento que, anunciava-se já, sacudiria as bases da sólida economia mundial. Afinal, perguntava-se, de que proparoxítonas origens .proviria um tal furacão? Não se sabia ainda.

Finalmente, passado o primeiro impacto, serenados de um certo modo os ânimos, de logo inventaram um nome para o fenômeno, porque, comprovava-se mais uma vez, a humana imaginação não tem limites: Pois aí o tem, meu senhor – GLOBALIZAÇÃO, filosofia do neoliberalismo que o então presidente Fernando Henrique aplicava na dorida lombada da economia brasileira.

De em diante tudo tinha de mudar. Num ápice, criou-se imediatamente uma instituição de compridas pernas que pudesse gerir o montante dos fundos da economia mundial dos sete grandes (ou seriam oito?) ou pelo menos monopolizar as transações da OMC (Organização Mundial do Comércio). Essa Organização teria poderes bastante para gerir, afligir, e, se possível, explodir com mãos de veludo as instituições que não pudessem competir, ombro a ombro com o novo Império Econômico. Regime autocrático, pois então?

Vieram vindo de roldão muitas outras coisas, ainda soprava forte o vendaval como devastadora avalanche. Fato é que a Globalização deu cabo do socialismo soviético, capenga desde o fulcro gerador da revolução russa de 1917. Ah, o pobre,, tão cerrado em si mesmo, sem sol suficiente para consubstanciar as cabeças pensantes desse regime totalitário!

Mas muito mais fez a Globalização. Arrastou após si as revolucionárias tecnologias de informática e comunicação, que vêm servindo de inspiração supimpa para as jovens cabeças nesse jovem século XXI. Hosanas à juventude que se delicia com a novidade!

Avelhantado, o antigo regime parecia senescer. A Informática ganhou forças. Revelou segredos, novos segredos da tecnologia. Premiou a Humanidade sequiosa de novidades com mais três heranças da Eletrônica – os computadores e as telecomunicações. O mundo ficou pequenininho como uma casca de noz, inspirando ao físico Stephen Hawking a criação do notável “O Universo numa Casca de Noz”. Pena é que a gente entendeu mui pouco de uma tão subida algaravia.

E os transistores, senhor meu, em milhões deles cabem “chips” do tamanho de uma unha. E o que fizeram depois esses geniozinhos da tecnologia com esses mesmos “chips” processadores de informação? DE cambulhada, experimentando aqui, processando acolá, meteram dentro esses fragmentozinhos diabólicos, cada vez mais reduzidos de tamanho, em praticamente todas as máquinas e aparelhos que fazem parte do agitadíssimo cotidiano humano.

A essa altura, todos estamos suplicando um feixe de amor e uma unhazinha de sossego.Enquanto isso, a Internet, filha outra de todo esse pandemônio, faz às vezes de cupido virtual. E, à volta do Planeta, os agudos olhos da fibraótica esticam olhos ardentes e tentáculos por toda a redondeza do Planeta. Ninguém está incólume. Todos espiam todos e dia virá em que se inventará uma máquina de fazer materializar-se na testa de cada criatura uma imagem fiel do que pensa, cria, planeja e ameaça executar.

E assim o mundo está-me parecendo muito mais uma caixinha de brinquedo em que o-sei-lá-o-quê manobra cada botãozinho dessa Engenhingonça tecnotrônica.

Ah, mundo mundo, vasto mundo!

Antônio Russi (Professor e Escritor) - Lavras - Mg - julho de 2017


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