A ALMA ,apenas mera abstração?

Editado/publicado em 21/03/20

Autor: Antônio Russi

Li uma vez que “a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz frincha para rir-se da gente...” Ah, os invisíveis! É que a gente se esquece de que, além dos sentidos, sempre haverá alguma cousa além. Ora, meu amigo, se eu lhe disser que no espaço etereoastral existe um novo e estranho universo, provavelmente não me dará crédito. Não importa; a dissidência faz parte da espécie humana. Desconte um pouco da sua incredulidade respondendo-me à indagação:

Os nossos cinco sentidos são suficientes para dar-nos um visão completa da realidade do nosso físico universo? Em verdade lhe digo que não. Ora bem : os olhos apenas vêem, e mal; os ouvidos escutam; a boca degusta; o nariz cheira, o tato tacteia – todas essas faculdades, ainda que perfeitas, são incapazes de oferecer-nos uma idéia do que experimentamos.

Para não dizer que ainda, e sobretudo, há os súbitos, encobertos acontecimentos, dentro da gente. Acomode-se o meu amigo e preste ouvidos.

É de fenômenos sutis que vamos falar. E começo sem mais preâmbulos. A alma, quando nua, livre das peias do escafandro material que a sufoca e não raro a embrutece, já não depende dos canais nervosos físicos. Nestas condições, a percepção dos sentidos se lhe amplia extraordinariamente. Claro que isto vai depender de alguns anos de experiência no Espaço. Muitas almas haverá, certamente, que a despeito do largo tempo de convivência no mundo astral, ainda remanescem tão ignorantes do novo “status quo” quanto antes de nele penetrar.

Falo aqui do fenômeno pouco conhecido da “transposição dos sentidos”. Mas então? Então é formidável! Do lado de lá, adquirida a indispensável experiência que mencionei, tudo é percepção, tudo muda, tudo se transforma. Com aponta do dedão do pé, o amigo enxerga o que deseja enxergar e de modo total, completo.

Sei que me explico mal. Ou avancei em momento impróprio, como quem expõe as ilações antes dos fatos, o mesmo que se dá como aquele que põe os bois atrás do carro e os chifres depois dos bois, como lá diz o outro.

O assunto é árduo, quase inacreditável. Por isso, vamos devagar. Se assim é, e se me afigura quase impossível de crer, poderia eu, com o lóbulo da orelha, enxergar alguma coisa como se com os olhos fossem? Perfeitamente. A alma, ou Espírito, vê in totum, não se lhe restringe a faculdade que queira usar momento.

Vezes, e o caso não é tão incomum assim, mesmo na condição de encarnado um sensitivo lia com a ponta dos dedos. Nandor Fodor, um investigador russo, menciona diversos casos semelhantes – eyeless sight, “visão sem olhos”.

O amanhã pertence ao Espírito, não há duvidar. Estejamos pois em pé de paz antes que a cartilha da vida nos colha despreparados.

O assunto é vasto e fascinante. Não disse o Mestre que somos deuses? “Ego dixi , dii estis”. Isto naturalmente demandaria um seguimento do assunto, e não menor do que o texto já pronto. Digamos que eu lhe fico devendo estoutra parte.

Antônio Russi (Professor e Escritor) - Lavras - MG - Março/2020.


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