MEGALOMANÍACOS INTELECTUAIS

Editado/publicado em 12/04/20

Autor: Antônio Russi

Há no mundo, atualmente, mais do que podemos perceber, um sem número de pessoas que se não acautelam contra os desvarios da inteligência. Não se poupam, e fazem da astúcia e da vaidade a razão a que se aclimatam e em que respiram. E vivem assim, como se donos do mundo e as gentes como os seus capachos e subordinados. Só têm uma linguagem: o mando. Poder e dinheiro constituem objetivos intransferíveis e orgânicos. Os blefes do coração não lhes tocam mais a sensibilidade da alma.

Não acreditam nos sentimentos elevados da vida: “Puro pieguismo”, interpretam, num esgar de mofa e pretensa superioridade.

Como são agudos no farejar, à primeira vista, o sucesso de um igual, tão bem situado quanto eles nos negócios, na vida. Se lhe são superiores e mais bem sucedidos de logo buscam estreitar relações e esgaravatam as minúcias do modo como obtiveram tal sucesso. Adivinham-no talvez um forte e futuro rival que tem de ser superado. Temem-no e observam-lhe todas as operações tecnicamente financeiras que venham a pôr em prática e por isso perdem de vista parte dos próprios negócios. Roem de raiva e de inveja quando o rival se lhe ultrapassa o sucesso e o êxito nas investiduras dos altos negócios. Então o que fazem? Estudam-no minuciosamente, percorrem-lhe a trajetória desde o começo, estabelecem comparações entre o que o rival mostrou-se mais atilado e de mais ampla visão, copiam-no naquilo em que reconhecem novo e mais atrevido.

Mas, oh cegueira! Não percebem que a vida lhes escorre de entre os dedos, que envelhecem lentamente e que o coração, como dizia o rei Salomão, lhes seca cada dia mais um pouco.

Ah, pobres loucos! Bebem, sem o saber,o tonel das danadas, sorvem até o fim o cálice da ilusão, querendo-se cada dia mais atrevidos nas aventuras dos altos negócios.Não pressentem que a visão se lhes falece, já não contam com o prestígio dos aduladores, pelo menos os mais frequentes, os que, de fora, adivinhavam a derrocada.

Mas nós todos viemos do inferno; alguns ainda estão quentes de lá.

Mas muitos, por improvidência, rosnam o pecado de nascer – na tese anaximândrica.

Ao fim, ainda não convencidos, rumariam a vida do mesmo modo, caso pudessem tornar atrás e reassumir o comando íntimo, reprincipiando a odisséia dos negócios.

Mas a morte não existe, repare-se e pondere-se. O que há é apenas transformação. Esses homens voltarão ao palco para novas ensanchas.

“A gente só vê o cinzento, mas tem-se de adivinhar o branco e o preto”, como lá diz o outro.

Antônio Russi (Professor e Escritor) - Lavras - MG - Março/2020.


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