Produção industrial cresce 0,5% em fevereiro
O setor industrial, em fevereiro de 2020, mostra um quadro de maior ritmo produtivo.

Editado/publicado em 01/04/20

A produção industrial nacional cresceu 0,5% de janeiro para fevereiro deste ano, dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta quarta-feira (01) pelo IBGE. Em relação a fevereiro de 2019, a indústria caiu - 0,4% em fevereiro de 2020. Assim, o setor industrial acumulou queda de -0,6% no ano.


Em fevereiro de 2020, a produção industrial avançou 0,5% frente a janeiro de 2020, na série com ajuste sazonal. Em relação a fevereiro de 2019 (série sem ajuste sazonal), a indústria caiu - 0,4% em fevereiro de 2020. Assim, o setor industrial acumulou queda de -0,6% no ano. No acumulado em 12 meses, a atividade industrial também recuou (-1,2%). A publicação completa da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) está à direita.

O setor industrial, em fevereiro de 2020, mostra um quadro de maior ritmo produtivo, expresso não só no segundo mês seguido de expansão, na comparação com o mês imediatamente anterior, mas também no perfil disseminado de taxas positivas, já que 15 das 26 atividades apontaram crescimento na produção. Vale destacar que o avanço de 1,6% acumulado nesses dois primeiros meses de 2020 eliminou apenas uma parte da redução de 2,5% verificada nos dois últimos meses de 2019. Com esses resultados, o setor industrial ainda se encontra 16,6% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Ainda na série com ajuste sazonal, com o ganho de ritmo da atividade industrial nesse início de 2020, o índice de média móvel trimestral (0,2%) interrompeu a trajetória descendente iniciada em outubro de 2019.


Produção avançou em 2 das 4 categorias e 15 dos 26 ramos

No avanço de 0,5% da atividade industrial na passagem de janeiro para fevereiro de 2020, duas das quatro grandes categorias econômicas e 15 dos 26 ramos pesquisados mostraram expansão na produção.

Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram registradas por veículos automotores, reboques e carrocerias (2,7%) e outros produtos químicos (2,6%), com ambas apontando o segundo mês seguido de crescimento na produção e acumulando nesse período ganho de 7,8% e 4,2%, respectivamente. Outras contribuições positivas relevantes vieram dos ramos de produtos alimentícios (0,6%), de celulose, papel e produtos de papel (2,4%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (3,2%) e de produtos de borracha e de material plástico (2,1%).

Com exceção da última atividade, que interrompeu dois meses consecutivos de taxas negativas e acumulou nesse período perda de 1,1%, as demais assinalaram crescimento no mês anterior: 1,5%, 1,8% e 6,7%, respectivamente.

Por outro lado, entre os dez ramos que reduziram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global foi registrado por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,8%), interrompendo três meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumulou ganho de 8,6%.

Outros impactos negativos relevantes foram nos setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-5,8%) e de outros equipamentos de transporte (-8,7%). O primeiro eliminou o avanço de 3,5% verificado em janeiro de 2020; e o segundo manteve o comportamento negativo presente desde novembro de 2019 e acumulando nesse período redução de 17,0%.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação a janeiro de 2020, bens de capital, ao crescer 1,2%, mostrou a alta mais acentuada em fevereiro de 2020, após avançar 13,0% em janeiro de 2020, quando interrompeu o comportamento predominantemente negativo presente desde maio de 2019, período em que acumulou redução de 14,4%.

O setor de bens intermediários também assinalou taxa positiva nesse mês (0,5%) e marcou o terceiro mês seguido de crescimento na produção, período em que acumulou ganho de 1,6%.

Os segmentos de bens de consumo duráveis (-0,7%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,2%) assinalaram os resultados negativos nesse mês. O primeiro eliminou parte do avanço de 4,1% registrado no mês anterior; e o segundo manteve o comportamento negativo presente desde novembro de 2019, com perda acumulada de 2,6% nesse período.

Média móvel trimestral mostra variação positiva de 0,2%

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria teve variação positiva de 0,2% no trimestre encerrado em fevereiro de 2020 frente ao nível do mês anterior, interrompendo a trajetória descendente iniciada em outubro de 2019.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, bens intermediários (0,5%) e bens de capital (0,2%) apontaram as taxas positivas nesse mês, com o primeiro voltando a crescer após três meses consecutivos de queda na produção, período em que acumulou redução de 0,9%; e o segundo interrompendo a trajetória descendente iniciada em junho de 2019.

Por outro lado, os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,6%) e de bens de consumo duráveis (-0,5%) assinalaram os recuos em fevereiro de 2020, ambos com o terceiro mês seguido de queda e acumulando redução de 1,8% e de 3,7%, respectivamente.

Indústria recuou 0,4% na comparação com fevereiro de 2019

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial teve queda de 0,4% em fevereiro de 2020, com resultados negativos em três das quatro grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 42 dos 79 grupos e 53,8% dos 805 produtos pesquisados. Vale citar que fevereiro de 2020 (18 dias) teve dois dias úteis a menos do que igual mês do ano anterior (20).

Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-9,3%) exerceu a maior influência negativa, pressionada, em grande medida, por automóveis. Outras contribuições negativas foram nos ramos de outros equipamentos de transporte (-22,6%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,6%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-13,5%), de máquinas e equipamentos (-3,8%), de impressão e reprodução de gravações (-25,8%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,6%) e de produtos de minerais não-metálicos (-2,4%). Por outro lado, ainda na comparação com fevereiro de 2019, entre as doze atividades que apontaram expansão na produção, a principal influência no total da indústria foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (11,0%), impulsionada, em grande medida, pela maior fabricação dos itens óleos combustíveis, naftas para petroquímica e óleo diesel.

Outros impactos positivos importantes foram assinalados pelos ramos de outros produtos químicos (3,4%), de bebidas (4,5%), de celulose, papel e produtos de papel (4,1%), de produtos do fumo (35,7%), de produtos de borracha e de material plástico (2,8%) e de metalurgia (1,2%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de consumo duráveis (-11,6%) assinalou, em fevereiro de 2020, recuo de dois dígitos e o mais acentuado entre as grandes categorias econômicas. Os setores produtores de bens de capital (-4,6%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-1,6%) também apontaram taxas negativas mais elevadas do que a média nacional (-0,4%). Por outro lado, o segmento de bens intermediários (2,5%) marcou o único resultado positivo nesse mês.

O segmento de bens de consumo duráveis recuou 11,6% em fevereiro de 2020 frente a igual período do ano anterior, interrompendo cinco meses de taxas positivas consecutivas nesse tipo de comparação. O setor foi particularmente pressionado pela redução na fabricação de automóveis (-18,5%). Vale citar também os recuos assinalados por eletrodomésticos da “linha marrom” (-12,1%), motocicletas (-8,3%) e pelo grupamento de outros eletrodomésticos (-26,0%). Por outro lado, a expansão na fabricação dos eletrodomésticos da “linha branca” (9,7%) exerceu a maior influência positiva nessa categoria. O outro impacto positivo no setor foi registrado pelo grupamento de móveis (5,0%).

O setor de bens de capital recuou 4,6% em fevereiro de 2020, após avançar 4,2% no mês anterior, quando interrompeu três meses de taxas negativas consecutivas nesse tipo de comparação. O segmento foi influenciado, em grande medida, pelo recuo no grupamento de bens de capital para equipamentos de transporte (-6,6%), pressionado, principalmente, pela menor fabricação de aviões, veículos para transporte de mercadorias e embarcações para transporte de pessoas ou cargas (inclusive petroleiros e plataformas). As demais taxas negativas foram registradas por bens de capital de uso misto (-13,0%), agrícolas (-14,5%), para construção (-5,4%) e para fins industriais (-0,1%). Por outro lado, o único impacto positivo foi assinalado pelo grupamento de bens de capital para energia elétrica (3,5%).

O setor de bens de consumo semi e não-duráveis, recuou 1,6% em fevereiro de 2020, intensificando a queda do mês anterior (-0,8%), quando interrompeu quatro meses consecutivos de taxas positivas. O desempenho nesse mês foi explicado pelas quedas nos grupamentos de não-duráveis (-1,9%), de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-0,8%), de semiduráveis (-2,2%) e de carburantes (-3,7%).

O setor de bens intermediários avançou 2,5% em fevereiro de 2020, interrompendo, três meses consecutivos de taxas negativas nesse tipo de comparação. O resultado reflete os avanços nos produtos associados às atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (15,1%), de produtos alimentícios (5,8%), de outros produtos químicos (3,8%), de celulose, papel e produtos de papel (4,3%), de produtos de borracha e de material plástico (2,9%), de metalurgia (1,2%), de produtos têxteis (4,1%) e de indústrias extrativas (0,4%). Por outro lado, as pressões negativas vieram de máquinas e equipamentos (-13,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,6%), produtos de minerais não-metálicos (-2,7%) e produtos de metal (-1,3%). Ainda nessa categoria econômica, vale citar também os resultados assinalados pelos grupamentos de insumos típicos para construção civil (-1,6%) e de embalagens (1,3%).

No índice acumulado no ano, frente a igual período do ano anterior, houve redução de 0,6%, com resultados negativos em 3 das 4 grandes categorias econômicas, 14 dos 26 ramos, 38 dos 79 grupos e 50,4% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, indústrias extrativas (-8,2%) exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens minérios de ferro. Vale destacar também as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,4%), de impressão e reprodução de gravações (-29,1%), de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-12,1%), de outros equipamentos de transporte (-14,4%) e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-3,0%). Por outro lado, entre as doze atividades que apontaram ampliação na produção, a principal influência no total da indústria foi registrada por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (12,8%), impulsionada, em grande parte, pela maior fabricação dos itens óleos combustíveis, naftas para petroquímica e óleo diesel. Outros impactos positivos importantes foram assinalados pelos ramos de bebidas (2,8%), de celulose, papel e produtos de papel (2,9%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,1%) e de produtos do fumo (21,1%).

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para os dois primeiros meses de 2020 mostrou menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-5,4%), pressionada, sobretudo, pela redução na fabricação de automóveis (-12,7%). Os segmentos de bens de consumo semi e não-duráveis (-1,2%) e de bens de capital (-0,6%) também apontaram taxas negativas no índice acumulado no ano. Por outro lado, o setor produtor de bens intermediários (0,4%) assinalou a única expansão, impulsionado, em grande parte, pelos avanços nos produtos associados às atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (16,6%) e produtos alimentícios (6,1%), com destaque para óleos combustíveis, naftas para petroquímica e óleo diesel, na primeira; e açúcar, na segunda.

Edição MAMS - Fonte: Agência IBGE


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