Vendas do varejo recuam 2,5% em março, segundo pesquisa do IBGE
As vendas no varejo recuaram 2,5% em março de 2020 em relação a fevereiro (série com ajuste sazonal).
A média móvel trimestral, após decréscimo de 0,4% no trimestre encerrado em fevereiro, recuou 1,1% no trimestre encerrado em março.
Resultado é influenciado por isolamento social imposto pela pandemia.

Editado/publicado em 13/05/20

O impacto da pandemia de Covid-19 já pode ser verificado em março com a queda de 2,5% nas vendas do comércio varejista, em relação a fevereiro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (13), pelo IBGE.

É o pior resultado para março desde 2003, quando o setor registrou -2,7%.

A queda, puxada por seis das oito atividades pesquisadas, só não foi mais intensa por causa de áreas consideradas essenciais durante o período de isolamento social.


Vendas de hiper e supermercados disparam 14,6% e impedem queda maior no varejo - Foto: Eduardo Peret/Agência IBGE Notícia

Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista recuou 1,2% em relação a março de 2019, contra aumento de 4,7% em fevereiro. Foi a primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas nesta comparação.

O varejo acumulou alta de 1,6% no ano e 2,1% nos últimos doze meses.

Já no varejo ampliado, que inclui as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, o volume de vendas recuou 13,7% em relação a fevereiro (queda mais intensa desde o início da série, iniciada em fevereiro de 2003), contra a alta de 0,5% do mês anterior. Com isso, a média móvel trimestral de março (-4,2%) foi menor que a de fevereiro (0,1%).

Em relação a março de 2019, o comércio varejista ampliado recuou 6,3%, primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas, com estabilidade (0,0%) no acumulado no ano.

O acumulado nos últimos doze meses foi de 3,3%. Os resultados para março de 2020 foram marcados pelo início do isolamento social devido à pandemia de Covid-19. Do total de empresas coletadas pela Pesquisa Mensal de Comércio, 14,5% relataram impacto do isolamento social em suas receitas, que se iniciou em algumas capitais a partir da segunda quinzena de março.


Ao justificar a variação detectada em suas receitas de vendas em março, 43,7% das empresas citaram o coronavírus como principal causa. Na comparação com março de 2019, a queda no volume de vendas destas empresas que relataram impacto do Covid-19 em suas atividades foi de -23,0%, enquanto a retração das que não reportaram qualquer impacto da quarentena em suas receitas cresceu 1,5%, na mesma comparação.

O comércio varejista recuou 1,2% em relação a março de 2019 e a influência das receitas das empresas que relataram algum impacto devido ao Covid-19 nesse indicador foi de (-2,6 p.p.) enquanto a influência das que não relataram qualquer impacto foi de 1,4 p.p.

No varejo ampliado, a queda no volume de vendas das empresas impactadas pelo Covid-19 foi de -26,8%, enquanto o das que não relataram impacto recuou 3,1%. A influência do subgrupo de empresas impactadas na variação do varejo ampliado em relação a março de 2019 (-6,3%) foi de -3,7 p.p, enquanto o subgrupo das demais influiu com -2,6 p.p.

Seis das oito atividades pesquisadas recuaram em março

O isolamento social devido à pandemia teve impactos distintos. Seis das oito atividades pesquisadas registraram queda no volume de vendas do comércio varejista, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas em algumas cidades do país, a partir da segunda quinzena do mês. Apresentaram resultados negativos: Tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%), Móveis e eletrodomésticos (-25,9%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%), Combustíveis e lubrificantes (-12,5%).

Em contrapartida, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,6%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,3%), atividades consideradas essenciais durante o período de quarentena, apresentaram avanço nas vendas frente a fevereiro de 2020.

Volume de Vendas do Comércio Varejista e Varejista Ampliado - mês/ mês imediatamente anterior Série com ajuste sazonal - Março 2020


Considerando o comércio varejista ampliado,em março, o volume de vendas recuou 13,7%, frente a fevereiro de 2020, na série com ajuste sazonal, demonstrando inversão com relação ao mês anterior (0,5%). Para essa mesma comparação, Veículos, motos, partes e peças e Material de construção registraram queda de 36,4% e 17,1%, ambos, respectivamente, após variação positiva de 0,1% e 0,2% observados no mês anterior.

Frente a março de 2019, o comércio varejista caiu 1,2%, com taxas negativas em seis das oito atividades pesquisadas: Tecidos, vestuário e calçados (-39,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-17,9%), Combustíveis e lubrificantes (-11,2%), Móveis e eletrodomésticos (-12,1%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-23,2%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-32,9%).

Por outro lado, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (11,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,1%) foram os setores que mostraram aumento nas vendas.

Com recuo de 6,3% frente a março de 2019, o comércio varejista ampliado interrompe onze meses de taxas positivas consecutivas que vinham sendo observadas no indicador interanual. A principal contribuição negativa à taxa geral do varejo ampliado veio da forte queda registrada em Veículos, motos, partes e peças (-20,8%), além do recuo observado em Material de construção com (-7,6%).

O setor de Tecidos, vestuário e calçados (-39,6%) foi a principal influência no campo negativo na composição da taxa do comércio varejista nacional, na comparação com março de 2019, sendo a mais intensa variação negativa para este segmento desde o início da série em janeiro de 2001. No acumulado até março, o setor registrou queda de 12,4% no volume de vendas, invertendo trajetória observada até fevereiro (1,7%). O indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -0,2% em fevereiro para -2,5% em março, intensificou a trajetória descendente iniciada em fevereiro após uma série de oito variações positivas anteriores. Vale ressaltar que o forte recuo no volume de vendas da atividade se deu por conta de fechamento de lojas físicas a partir da segunda quinzena de março em algumas das principais cidades brasileiras.

O segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-17,9%), que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos, entre outros, interrompe uma série de oito resultados positivos iniciada em julho de 2019, registrando também o pior desempenho da série para o indicador interanual, iniciada em janeiro de 2004. A queda no volume desta atividade em março de 2020 foi muito influenciada também pela estratégia de mitigação dos efeitos da pandemia no sistema de saúde e fez com que o setor exercesse a segunda contribuição negativa mais intensa sobre o resultado geral do varejo. No acumulado do ano, o decréscimo de 0,6% coloca o setor no campo negativo pela primeira vez desde agosto de 2017. Com isso, o indicador acumulado nos últimos doze meses (5,0%) apresentou perda de ritmo em relação a fevereiro de 2020 (6,1%).


O setor de Combustíveis e lubrificantes (-11,2%) deu a terceira contribuição negativa mais intensa para o varejo. Na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, esse resultado é o de maior amplitude no campo negativo desde junho de 2018, quando foi -11,6%. Ainda que as empresas deste setor não tenham suspendido suas atividades ao público por conta da pandemia, sua receita de vendas foi bastante impactada pelo atual surto de Covid-19, uma vez que houve forte redução na circulação de pessoas e queda no consumo de combustíveis a partir da segunda quinzena de março. No acumulado no ano, o setor, que já vinha registrando números negativos em 2020, intensifica esta trajetória, fechando março com queda de 3,9%. O acumulado nos últimos doze meses inverteu o sinal: -0,3% em março contra 0,2% em fevereiro.

O setor de Móveis e eletrodomésticos (-12,1%) exerceu o quarto impacto negativo mais intenso sobre a taxa do comércio varejista de março, resultado mais intenso em termos negativos desde outubro de 2016, após o aumento de 11,8% em fevereiro. Em relação ao acumulado no ano, a passagem fevereiro para março demonstrou os efeitos da quarentena na atividade: 11,4% de acúmulo até fevereiro para 3,6% até março, com forte perda de ritmo. O indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 5,5% até fevereiro para 5,0% em março, diminuiu o ritmo de crescimento.

O segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-23,2%) acentua uma trajetória descendente que já vinha ocorrendo desde janeiro de 2020. Nessa comparação, o resultado retroage a janeiro de 2016 como mais negativo, quando registrou -24,9%. O acumulado no ano até o mês de referência, passou de -9,9% até fevereiro para -14,4% até março, refletindo também o ocorrido devido à pandemia. O indicador acumulado nos últimos doze meses (-3,7%) representou o segundo mês consecutivo de queda, em fevereiro o setor havia recuado em 1,7%.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria (-32,9%) intensificou a queda de fevereiro (-7,5%). O acumulado no ano passou de -1,3% até fevereiro para -8,6% em março. No entanto, o acumulado nos últimos doze meses, ao passar de -14,7% para -13,6%, demonstrou sua queda menos intensa desde novembro de 2018 (-12,6%).

O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (11,1%) exerceu a maior influência positiva do comércio para o mês de março, sendo a maior variação no indicador interanual desde março de 2018 (15,4%). O impacto do isolamento social para esta atividade se deu de forma inversa ao observado nos setores que tiveram atividades suspensas a partir da segunda quinzena de março. Considerado um setor essencial, hiper e supermercados concentraram o dispêndio das famílias no período, ocasionando forte variação positiva. Isso fez com que o acumulado do ano para o setor, que vinha de um mês de queda (-2,7% em janeiro) e outro de baixo dinamismo até fevereiro (0,5%) acumulasse, até março, aumento de 4,1%. O acumulado nos últimos doze meses subiu 1,6% em março, mostrando crescimento em relação a fevereiro (0,2%).

A atividade de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12,1%) exerceu a segunda maior contribuição positiva na taxa global do varejo, registrando a trigésima quinta variação positiva consecutiva, na comparação com igual mês do ano anterior. Em relação ao acumulado no ano até março, a passagem de 7,4% até fevereiro para 9,1% no mês de referência, também mostrou ganho de ritmo. Em termos de resultado acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 6,6% até fevereiro para 7,4% em março, o setor mostrou aumento da intensidade de crescimento.

O setor de Veículos, motos, partes e peças (-20,8%) interrompe uma série de dez variações positivas iniciada em abril de 2019 com a variação negativa mais intensa desde julho de 2017 (-21,3%), exercendo a maior contribuição negativa no resultado do mês para o varejo ampliado. O indicador acumulado no ano até março mostrou recuo de 3,6%, após crescimento no mês de fevereiro (5,1%). A análise pelo indicador acumulado nos últimos doze meses, com o aumento de 7,0% até março, mostrou perda de ritmo em relação ao acumulado até fevereiro (8,7%).

O segmento de Material de Construção (-7,6%) contabiliza a segunda taxa negativa consecutiva nessa comparação. Com isso, o indicador acumulado no ano até março mostrou recuo de 2,3%, invertendo o sinal se comparado ao mês de fevereiro (0,3%). O indicador acumulado nos últimos doze meses, ao passar de 3,4% em fevereiro para 2,8% em março, se manteve no campo positivo, ainda que com diminuição no ritmo.

Vendas recuam em 26 das 27 unidades da federação

Na passagem de fevereiro para março de 2020, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista mostrou recuo de 2,5%, com predomínio de resultados negativos em 26 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Rondônia (-23,2%), Amazonas (-16,5%) e Acre (-15,7%). Por outro lado, pressionando positivamente, figura apenas São Paulo (0,7%). Para a mesma comparação, no comércio varejista ampliado, a variação entre fevereiro e março foi de -13,7% com todas as 27 Unidades da Federação registrando resultados negativos, com destaque para: Rondônia (-23,8%), Sergipe (-20,0%) e Acre (-19,4%)

Frente a março de 2019, a variação das vendas do comércio varejista nacional foi de -1,2%, com resultados negativos em 23 das 27 Unidades da Federação, com destaque para: Rondônia (-25,3%), Ceará (-14,4%) e Acre (-11,8%). As quatro Unidades da Federação, com resultados positivos foram São Paulo (5,4%), Tocantins (3,4%), Mato Grosso (2,1%) e Paraíba (1,0%). As influências negativas mais intensas sobre a taxa do varejo vieram do Rio Grande do Sul (-6,2%), Ceará (-14,4 %) e Santa Catarina (-5,4%). Já o destaque em influência positiva foi São Paulo (1,7 p.p.).

No comércio varejista ampliado, o recuo de 6,3% frente a março de 2019 teve resultados negativos em 26 das 27 Unidades da Federação, com destaque, em termos de magnitude de taxa, para: Rondônia (-19,6%), Sergipe (-18,0%) e Piauí (-13,6%). Por outro lado, pressionando positivamente, figura apenas o estado de Tocantins (3,6%). Quanto à participação na composição da taxa do varejo ampliado, os destaques negativos foram São Paulo (-1,3 p.p.), Rio Grande do Sul (-1,0 p.p.) e Santa Catarina (-0,8 p.p.).

Fonte: IBGE


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