Contágio ou fome, o dilema dos trabalhadores informais durante a pandemia de COVID-19
Medidas de confinamento exacerbarão a pobreza e a vulnerabilidade de 2 bilhões de trabalhadores na economia informal, de acordo com a OIT.
Os países com as maiores economias informais onde foram aplicadas medidas de confinamento são os
que mais sofrem com as consequências econômicas da pandemia, informou a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O percentual de trabalhadores da economia informal severamente afetados pelo confinamento é de 89% na América Latina e nos Estados Árabes,
83% na África, 73% na Ásia e no Pacífico, e de 64% na Europa e Ásia Central.

Editado/publicado em 07/05/20


Globalmente, cerca de 1,6 bilhão dos 2 bilhões de trabalhadores da economia informal são afetados por medidas de confinamento e de contenção. Foto: OIT

Em todo o mundo, as medidas de confinamento e de contenção adotadas para combater a COVID-19 ameaçam aumentar os níveis de pobreza relativa das trabalhadoras e dos trabalhadores da economia informal em até 56 pontos percentuais nos países de baixa renda, de acordo com um *novo documento publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Nos países de alta renda, estima-se que os níveis de pobreza relativa entre as trabalhadoras e os trabalhadores informais aumentem em 52 pontos percentuais, enquanto nos países de renda média alta, o aumento é estimado em 21 pontos percentuais.

Globalmente, as medidas de confinamento e de contenção afetam cerca de 1,6 bilhão dos 2 bilhões de trabalhadoras e trabalhadores da economia informal. A maioria trabalha nos setores mais impactados ou em pequenas unidades econômicas mais vulneráveis a crises.

Isso inclui pessoas que trabalham em serviços de hotelaria e de alimentação, nos setores de manufatura, comércios atacadista e varejista e os mais de 500 milhões de agricultores que abastecem os mercados urbanos. As mulheres são particularmente afetadas em setores de alto risco, destaca o estudo.

Em muitos países, as medidas de contenção da COVID-19 não podem ser implementadas de forma eficaz, porque essas trabalhadoras e esses trabalhadores precisam seguir trabalhando para alimentar suas famílias. Isso compromete os esforços dos governos para proteger a população e combater a pandemia, e pode se tornar uma fonte de tensão social em países com uma grande economia informal, diz o relatório.

Mais de 75% do emprego informal total está em empresas com menos de dez trabalhadoras(es), incluindo 45% das (os) trabalhadoras(es) autônomas(os) sem funcionárias(os).

Como a maioria das(os) trabalhadoras(es) informais não tem outra fonte de renda e enfrentam um dilema quase insolúvel: morrer de fome ou por causa do vírus, diz o documento. Isso foi agravado por interrupções no fornecimento de alimentos, o que afetou particularmente as pessoas que trabalham na economia informal.

Para os 67 milhões de trabalhadoras(es) domésticas(os) do mundo, 75% dos quais são trabalhadoras(es) informais, o desemprego tornou-se tão ameaçador quanto o próprio vírus. Muitas pessoas não conseguiram trabalhar, seja a pedido de empregadoras(es) ou para cumprir com medidas de confinamento. Aquelas que continuam trabalhando enfrentam um alto risco de contágio, cuidando de famílias em residências particulares. Para os 11 milhões de trabalhadoras(es) domésticas(os) migrantes, a situação é ainda pior.

"A crise da COVID-19 está exacerbando as vulnerabilidades e desigualdades já existentes", disse Philippe Marcadent, chefe do serviço INWORK da OIT. "As respostas políticas devem garantir que o apoio chegue às trabalhadoras, aos trabalhadores e às empresas que mais precisam."

Os países com as maiores economias informais onde foram aplicadas medidas de confinamento são os que mais sofrem com as consequências da pandemia. A porcentagem de trabalhadoras(es) da economia informal severamente afetadas(os) pelo confinamento varia de 89% na América Latina e nos Estados Árabes a 83% na África, 73% na Ásia e no Pacífico, e 64% na Europa e Ásia Central.

Os países devem adotar uma estratégia múltipla que combine diferentes linhas de ação em relação aos impactos da pandemia sobre a saúde e a economia, destaca a OIT.

Entre as recomendações, o relatório destaca a necessidade de adotar políticas que reduzam a exposição de trabalhadoras(es) informais ao vírus, de garantir que as pessoas infectadas tenham acesso a atendimento médico, de fornecer renda e ajuda alimentar às pessoas e suas famílias e de evitar danos causados ao tecido econômico dos países.

*novo documento

No final de abril de 2020, o número de infecções por COVID-19 havia excedido 2,8 milhões de casos em todo o mundo, com o número de mortes se aproximando de 195.000 e 210 países e territórios afetados.

Como resultado, um número crescente de iniciativas nacionais ou locais foi tomadas para impedir a propagação do vírus mortal.

Na pendência da descoberta de vacinas e tratamentos, o distanciamento físico continua sendo a única maneira de quebrar a cadeia de transmissão e proteger grandes segmentos da população.

Portanto, medidas de bloqueio total ou parcial estão sendo implementadas em todo o mundo, afetando mais de 5 bilhões de pessoas.

Estima-se que essas medidas tenham um impacto significativo em 1,6 bilhão de trabalhadores informais, com mulheres super-representadas nos setores mais atingidos.

Muitas mulheres e homens na economia informal precisam obter uma renda para alimentar a si e suas famílias, pois a maioria deles não pode contar com a reposição ou economia de renda.
Não trabalhar e ficar em casa significa perder o emprego e o sustento.
"Morrer de fome ou de vírus" é o dilema muito real enfrentado por muitos trabalhadores da economia informal.

arquivo em PDF (em inglês).

Edição MAMS - Com informações da OIT


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