“PORQUE SE FAZEM ASSIM COM O LENHO VERDE...”

Editado e Publicado em 27-03-19
artigo de Antônio Russi


Autor: Antônio Russi

Se fazem assim com os inocentes, o que não farão...? Ah, meu bom Mestre de todas as horas, sempre tiveste razão! É certo que o lobo, ainda que faminto, não ousa acometer o lobo. Quando muito, só o espreita, e, por instinto de família, a ele se reúne, formando bando, para mais se fortalecer contra o inimigo. No animal, é natural que prevaleça força, mas no homem?

Há quem acredite, e eu não vejo nisso nenhuma insensatez, que uma das principais indicações da insanidade mental de nossa época é a perda de proporção psicológica diante da realidade da vida.

Sempre trago comigo, a tiracolo da mente, um surrão de algumas idéias a que me arrimo para as cotejar com outras do mesmo naipe, que vou lendo e comparando; vou-me nessa empreitada aprendendo ou desaprendendo. Desaprender, às vezes, vale mais que aprender, frise-se.Essa da insanidade mental da nossa época não me parece nova, mas sempre é bom esmiuçá-la a ver se em algum ponto lhe ache traços de verdade.

Perda de proporção psicológica a que o homem se habituou é produto de todas as épocas, e Jesus, usando de belíssima e profunda imagem, percebeu que, no seu tempo, não era menos insana a humanidade. Donde as suas sábias, percucientes palavras.

Entendo que a minoria opressora e a maioria oprimida é expressão de todas as épocas e hoje, mais consciente a humanidade, não o é menos desumana. Não é isso perda de proporção psicológica? Mais, se a tanto me atrevo: perda de senso moral.

A maioria, embora vítima, ou por isso mesmo, sofre uma espécie de psicose coletiva, que os estudiosos acadêmicos ainda não atinaram: todos trazemos, de outras vivências, culpas retapadas, mas só inconscientemente percebemos. Talvez seja este um modo de “aceitar” a opressão dos que encravam o poder. Por isso, a insanidade mental, se é inconsciente na maioria oprimida não o é menos na minoria opressora. Digamos que sejam duas posições antípodas, mas ambas, a seu modo, sofrem o aguilhão do “mea culpa”.

Mas não é justo englobar todos nessa cegueira coletiva. Existe a categoria dos lúcidos, dos que pairam acima do nível comum: estes tentam abrir os olhos aos que ainda retardam os passos; mas por ainda tíbios, deixam-se envolver pela onda geral. Registra a História o empenho e o heroísmo de alguns desses poucos “escolhidos”, Homens-Luz.

Estive durante algum tempo a meditar nessas idéias e as comparei a outras que de um certo modo se equivalem; . não sei se pessimistas demais. Claro que um depoimento desses envolve muitas coisas. Certo é que a loucura humana não tem limites. Na minha bisonhice fico a imaginar a fisionomia de Jesus quando proferiu as palavras que encimam este trabalho. ...SE fazem assim com o lenho verde... É sublime a imagem, como tantas outras que proferiu, e certamente muitas outras que o tempo e os copistas não alcançaram memorizar.

Sublime a imagem, repito, e profundamente verdadeira.Estou a imaginar a leve sombra que possivelmente obscureceu-Lhe a fisionomia: - clarividente e extraordinariamente agudo, há de, naquele átimo de instante, vislumbrar que a humanidade, ainda por muito tempo, haveria de padecer o grande mal do primitivismo e da ignorância, até que, depois de sucessivas experiências malogradas, optaria finalmente por uma rota de legítimo filho de Deus.

Porque, meu amigo, que é que Ele nos pede em substância? Apenas que nos amemos uns aos outros, como nos ama por sua vez, tão terna, tão profundamente...

Antônio Russi (Professor e Escritor) - Lavras - MG - julho/2016.


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