Palavra amiga

Editado e Publicado em 13-08-18
por J.B. Ferreira

Creio que encontrar alguém para ouvir, é tão raro quanto encontrar um diamante no asfalto.

Na verdade as pessoas querem apenas falar.

Agem como fossem o centro do mundo e acreditam ser os únicos portadores de fatos de interesse.

Observe uma conversa ao telefone e verá o que as pessoas estão dizendo: (Maria, vou te contar o que aconteceu ontem...) Assim prosseguem até surgir uma pausa, dando oportunidade ao ouvinte falar. Este então retruca... (Aconteceu quase igual comigo! Fui à padaria e ai...)

Observe que uma parte não manifesta interesse pelo assunto da outra. Toda conversa não passa de um ping pong.

E por assim ser, é dificílimo encontrar um ouvinte que realmente possa ouvir com atenção. Alguém que procure compreender nossas aflições e conversar focado no assunto daquele que precisa de uma única palavra para aliviar o sofrimento.

Imagine que acabou de falecer uma pessoa muito querida. Seu coração acelera e a mente entra em desespero. Passamos a tecer lembranças e prantear sofrimentos causados pela perda. É ai que entra um amigo e diz friamente! Meus sentimentos...Ele agora está melhor que nós!

Isto é tudo que o amigo consegue dizer. Entretanto, se alguém aparece convidando para um diálogo e aos poucos revive com você as memórias do passado e ajuda tecer um futuro esperançoso, onde os atos seriam apenas para fazer feliz aquele que acaba de falecer, caso o mesmo permanecesse vivo, então passamos a sentir um alivio que em muito amenizará nossa dor.

Infelizmente esta é uma realidade. Vivemos quase que só no mundo. Poucas pessoas possuem a sensibilidade de compreender e buscar compreensão no sofrimento alheio. Somos muito individualistas e acreditamos que o ocorrido com outro não irá acontecer conosco. A sensibilidade de entender o sofrimento alheio, não é comum.

Sei disto, porque já passei inúmeras vezes por momentos desesperadores e não encontrava alguém para dar-me apoio. A cruz era pesada e tive que carregar sozinho. Felizmente, a tudo conseguimos superar e hoje, ainda que haja uma cicatriz, esta é apenas a marca de um aprendizado.

Descobri que para combater a dor e o sofrimento, temos um aliado chamado tempo. Apesar de lento quando precisamos de sua ajuda, ele é capaz de eliminar as dores. Definir exatamente a capacidade de sua ação é inteiramente impossível. Depende muito de dois fatores. O tamanho do ferimento e a capacidade de resistência do ferido. Mais de alguma forma é evidente que depois de dois anos, o ferimento está inteiramente curado.

J.B. Ferreira - Bicas 09-08-2028


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