AH, DIVINA INTUIÇÃ0!

Publicado em 20-11-17
por Antônio Russi

Não há negar que tudo o que se escreveu, ou ainda se escreve, sobre a genialidade de Einstein, será certamente pouco, não sei se pouquíssimo. Somos os humanos, como escreveu certo humorista, “quais anões à volta do rei.” Nossos olhos são míopes e nossa capacidade perceptiva ainda mui apequenada. Quanto a isso, pouco se pode fazer. Eu, de mim, prefiro calar, que é um comum modo de saber.

Sem qualquer desrespeito à ímpar figura do descobridor da teoria da relatividade, o que quero dizer é que somos de fato anões à volta do rei. Einstein, como outros raros de sua igualha, se distancia de muito do roteiro comum; por isso, vezes muitas, os perdemos de vista. E por mais que neguem certas pessoas, tem as suas vantagens o homem comum, o “homo húmus”. Foi um poeta latino que pôs em pauta as vantagens dessa “áurea mediocritas”, preciosa mediocridade. Horácio. Exaltou o poeta a supremacia de uma suculenta mediania, que é o que convém à maioria.

Mas que seria do progresso, alma minha gentil que discordaste, sem os homens de exceção? Honor, pois, aos gênios, mas só aos legítimos. Não se confunda, meu senhor, sorvete com nirvana.

Consta que o físico alemão, ao conceber a sua famosa teoria da relatividade, ficou algum tempo suspenso sem saber como denominar, em termos científicos, certos segmentos da genial criação. Era tão forte a substância e o império dessa idéia, que a nominou de “Constante Cosmológica”, força cósmica que confere harmonia ao Universo. Não desejando decerto se enredar com a opinião dos amigos da ciência, que poderiam ver na teoria mais uma hipótese teológica, inventou a expressão para não confessar o nome do seu legítimo Criador – Deus – o único e soberano Criador do Universo.

Quase, quase me ia resvalando para outros rumos. Torno sobre mim mesmo e reenfio rota. Falávamos...? Por essas e outras intuições, que o Suprem confere a certas figuras de projeção, é que o astrofísico Ed Turner declarou, segundo leio, que a maioria dos colegas “está desempoeirando os livros antigos sobre a “constante cósmica”. Agora mesmo, em outro livro, deparou-se-me trecho em que os sumérios, alguns mil pares de anos antes do Cristo, já concebiam idéia precisa sobre o que se sabe hoje do planeta Netuno.

Nada das grandes invenções seria possível sem a intuição, “raciocínio puro”, diria o mesmo Einstein. “Raciocínio puro”, vou começar a refletir, a começar de agora, a respeito dessa definição, e dou-lhe conselho, meu senhor, que faça o mesmo. Quem sabe nos toparemos, o senhor e eu, numa dessas curvas do caminho?

Se a inteligência analítica é própria do homem-razão, a intuição é o instrumento do homem de gênio, do homem-futuro, uma síntese. Estou a ponto de adivinhar o motivo por que Einstein batizou a intuição de raciocínio puro. Mas não lhe digo, meu amigo, deixo a seu alvitre rastrear a pista.

Platão, um dos raros que tinha acesso aos “Mistérios”, divulgara que antes de habitar um corpo viveriam as almas no mundo das idéias, onde detinham todas as coisas na sua mais pura essência.

Quantas vezes pensou o senhor na solução de um problema que se não resolveu. Como a solução não aconteceu, deixou-o de lado. Dias depois, quando não mais pensava nele, ocorreu-lhe de pronto a resposta. Foi o raciocínio lógico que lhe revelou a resposta? Claro que não. É aqui que entra a Intuição. A reflexão apenas cria condições para que a consciência dê a resposta. Eu diria simplesmente que a resposta se alojara escondidinha no inconsciente profundo, só esperava o momento certo para meter cá fora o nariz.

Agora sim, arremato: vou-me devolver a mim, ao cotidiano.

Antônio Russi (Professor e Escritor) - Lavras - Mg - julho de 2017


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