Exposição homenageia os 90 anos de “Macunaíma”
Mostra que será aberta nesta sexta-feira, dia 3, na USP, traz obras que retratam o romance de Mário de Andrade.

Editado/publicado em 02/08/18


O enigma da máquina, Impressão Fine Art, s/ Canvas, de Cleusa Rosseto – Foto: Divulgação

Cenas do “herói sem nenhum caráter”, do escritor Mário de Andrade (1893-1945), inspiraram as telas, desenhos, fotografias e instalações dos 39 artistas que participam da exposição Macunaíma, que será inaugurada nesta sexta-feira, dia 3, às 14 horas, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. A entrada é gratuita.

“Escolhi essa leitura provocante para trabalharmos a imagem reverenciando esse grande escritor e a sua obra-prima que completa 90 anos”, conta a organizadora da mostra e artista Altina Felício. “Você lê Macunaíma projetando uma paisagem. É uma leitura breve, instigante, onírica. Provoca o artista visual, que logo já imagina a cena. Inicialmente seriam 15 artistas. Porém o projeto cresceu e o interesse em participar também.”


Gravura de Angela Leite – Foto: Divulgação


Gravura em ponta seca e aquarela de Altina Felício – Foto: Altina Felício

Altina afirma que, diante da diversidade de técnicas e expressões, os artistas poderão narrar mitos, lendas e sonhos. “Nossa intenção é nos aproximar da história de Mário de Andrade”, conta. “É interessante notar a sutileza como ele cria Macunaíma na figura do cidadão brasileiro, colocando-se como herói ou anti-herói diante da nossa realidade e das responsabilidades de nossas escolhas. É um livro pequeno, uma rapsódia, que ao mesmo tempo é tão grande. É essa complexidade que nossa exposição pretende revelar.”

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Os artistas tiveram toda a liberdade para criar de acordo com a sensação e emoções que Macunaíma desperta.

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A expectativa é surpreender o público através da interação do romance de Mário de Andrade com as imagens dos artistas. “O público terá três instalações criadas por Regina Carmona, Lourdes Sakotani e Angela Barbour”, explica Altina. “Os artistas tiveram toda a liberdade para criar de acordo com a sensação e emoções que o romance desperta. As obras estarão fixadas em portas que formam biombos e também em estantes.”


Gravura de Vicência Gonsales – Foto: Divulgação


Gravura de Vicência Gonsales – Foto: Divulgação

A exposição foi desenvolvida por Altina, que vem montando diversas coletivas já apresentadas em bibliotecas, instituições culturais e teatros da Grande São Paulo. “Desde 2011, venho trabalhando em um projeto chamado A Palavra e a Imagem, que foi inaugurado com uma mostra no Memorial da América Latina. Na época, reunimos artistas visuais e escritores da língua portuguesa”, conta. “Sigo procurando espaços em bibliotecas e em outras instituições onde os artistas não precisam pagar para apresentar a sua arte. Daí ter chegado na USP.”

Altina afirma que não se considera curadora, pois a mostra foi pensada em conjunto. Macunaíma estará nas cores, nos desenhos, na sutileza e na força de cada trabalho.Fez questão de reunir artistas já reconhecidos com outros que estão começando a apresentar suas obras. “Todos são muito bons. Há o Christophe Spoto, que é de Araraquara, lugar onde está o sítio onde Mario de Andrade escreveu Macunaíma. Participam João Manccini, Carlos Adissi e Pitiu Bonfim, de São José dos Campos. Tenho a alegria também de contar com a presença da minha primeira professora de aquarela, Ligia De Franceschi.”

Altina destaca que a exposição reúne “artistas especialmente sensíveis e talentosos”, como Ana Oliveira, André Balsini, Angela Leite, Ana Maria Niemeyer, Beth Pacchini, Carlos Brandão, Cristina Bottallo, David Willian, Deucélia Silverio, Eliane Consol, Fátima Lourenço, Helena Bononi, Jacqueline Aronis, Joyce Melguiso, Julia Goeldi, Lucila Sartori, Maria Pinto, Maria Lucia Panizza, Marcia Gamboa, Marisi Mancini, Paulo Barreto, Ramira Rocha, Ruth Kelson e Vicência Gonsales. Na lista dos artistas, há professores de diversas universidades, pesquisadores e pessoas que divulgam a arte, como Ruth Tarasantchi, autora do livro Pintores Paisagistas: São Paulo – 1890 a 1920, da Editora da USP (Edusp), Vera Chalmers, Ivanir Cozeniosque, Marcio Périgo, Nori Figueiredo e Cleusa Rosseto.


Gravura em ponta seca e aquarela de Altina Felício – Foto: Altina Felício


Aquarela de Maria Lucia Panizza – Foto: Divulgação


Gravura de Angela Leite – Foto: Divulgação

Muitos dessa longa lista, a goiana Altina foi conhecendo na sua trajetória de três décadas em São Paulo estudando desenho, aquarela e gravura nos cursos do Sesc, sob a orientação do artista Evandro Carlos Jardim, também professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Na abertura da exposição Macunaíma, haverá a apresentação do conjunto musical Mosaico, integrado por pacientes psiquiátricos do Centro de Convivência e Cooperativa Eduardo Leite (Cecco) Bacuri – unidade municipal de saúde que visa à promoção, prevenção, manutenção e recuperação da saúde global de crianças até idosos. A direção do musical é do psiquiatra e músico Hélio Cherubini e da coordenadora Mara Quintanilha.

Fonte: Jornal da USP

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