Solenidade marca cercamento de nascentes do Rio Paraibuna
Ações protetivas são fundamentais para garantia de segurança hídrica; IEF planeja proteção também em outros afluentes

Editado/publicado em 09/07/19


Da dir. para a esq.: Antônio Malard (diretor-geral do IEF), Raimundo Nonato (prefeito de Antônio Carlos), João Alberto Campos (proprietário Fazenda do Campinho), Luiz Cláudio Santos (secretário de Meio Ambiente de Juiz de Fora) e Wesley (servidor Secretaria de Meio Ambiente de Juiz de Fora) - Foto: Edwaldo Cabidelli

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) realizou na última sexta-feira, 5 de julho, na zona rural do município de Antônio Carlos, região Centro-Sul do Estado, o cercamento das oito primeiras nascentes do Rio Paraibuna, cuja bacia hidrográfica abrange cerca de 30 municípios, com uma população estimada em 650 mil habitantes.

Além do cercamento, a cerimônia oficial, realizada na Fazenda do Campinho, onde estão localizadas as nascentes, contou também com o plantio de 80 mudas de árvores nativas da região e a apresentação de técnicas de manejo e de práticas de conservação da água e do solo. Participaram do evento o diretor geral do IEF, Antônio Malard, o supervisor da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade (URFBio) Centro-Sul, Ricardo Ayres, prefeitos de municípios que integram a Bacia Hidrográfica do Rio Paraibuna e promotores de Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), além de lideranças políticas da região.

O trabalho de preservação foi previamente planejado por técnicos do IEF, que estudaram as melhores formas de proteger a área. A iniciativa foi concretizada no evento, que teve também a participação do proprietário da Fazenda do Campinho, João Alberto Campos de Abreu e sua família.

A propriedade rural que abriga as nascentes possui 55,35 hectares e está inserida em região de Mata Atlântica. Entre as espécies utilizadas no plantio estão Cutieira, Araçá, Quaresmeira Roxa, Palmito, Jerivá, Aroeira, Magnólia, Pau Doce, Pau Viola, Ingá, Jequitá e Ipê Amarelo. O material para cercamento foi obtido em uma parceria do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) com o banco alemão de desenvolvimento KfW, por meio do Projeto de Proteção da Mata Atlântica - Fase II (Promata II). As mudas foram produzidas no viveiro do IEF, em Barbacena.

O diretor geral do IEF, Antônio Malard, lembrou a importância do projeto de preservação das nascentes do Rio Paraibuna, responsável pelo abastecimento de importantes municípios do Estado, como Juiz de Fora, na Zona da Mata. “É essencial para a garantia da segurança hídrica de Minas Gerais este trabalho de recuperação de nascentes e matas ciliares. Por meio de diversas parcerias mantidas pelo IEF com municípios, comitês de bacias hidrográficas, Ministério Público, dentre outras entidades, estamos trabalhando para estender estas ações protetivas também a outros importantes afluentes que nascem em nosso Estado” ressaltou.

O supervisor da URFBio Centro-Sul, Ricardo Ayres, explica que o cercamento e recuperação ambiental das oito primeiras nascentes do Rio Paraibuna faz parte de uma série de ações desenvolvidas pela Unidade Regional, que se estendem a quatro bacias hidrográficas de domínio federal (Paraíba do Sul, São Francisco, Doce e Grande), pois, de acordo com o supervisor, na circunscrição da URFBio Centro-Sul encontram-se as primeiras nascentes dos rios Paraibuna e Pomba, afluentes do Rio Paraíba do Sul, rios das Velhas e Paraopeba, afluentes do Rio São Francisco, rios Carmo e Piranga, afluentes do Rio Doce e rios das Mortes e Elvas, afluentes do Rio Grande.

“Trata-se de uma região produtora de água para oito estados da Federação, por isso, pretendemos dar continuidade a esse trabalho de proteção e recuperação desde as primeiras nascentes até a foz de cada rio. Esse trabalho só será possível por meio de parcerias e conscientização de toda sociedade”, salientou.

À frente da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Antônio Carlos, a promotora Elissa Maria Lourenço agradeceu pelo apoio que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), por meio do IEF, têm prestado à região.

A promotora destacou a importância da conscientização dos proprietários rurais da região. “Normalmente, os produtores rurais só aceitam fazer este trabalho de proteção de nascentes e matas ciliares após o cometimento de alguma infração ambiental. No entanto, no caso das propriedades que integram este projeto do IEF, percebemos que os donos de terras aceitam espontaneamente participar e contribuem para as ações propostas pelo Instituto, demonstrando conscientização ambiental em torno do assunto”, lembrou.

O proprietário da Fazenda do Campinho, João Alberto Campos de Abreu, ressaltou a importância da preservação dos recursos hídricos e o trabalho realizado pelo IEF na região. “O Instituto acabou se tornando um grande parceiro. Eles nos procuraram e fizeram a proposta do cercamento das nascentes que estavam em minha propriedade. Antes, os animais andavam próximo às nascentes e não havia nenhuma proteção. Os técnicos do IEF fizeram um grande trabalho e cuidaram para que todas as minas fossem protegidas”, disse.

O prefeito do município de Antônio Carlos, Raimundo Nonato Marques, falou sobre a relevância das ações do IEF na região. “Estamos trabalhando, junto ao Instituto, para que todos os proprietários rurais de nosso município, que tenham nascentes em suas propriedades informem tanto à Prefeitura quanto ao IEF, para que o trabalho de cercamento das minas seja realizado. Sabemos que nossa região é rica em nascentes, sendo o ponto de origem de importantes rios do Estado. Pretendemos, por meio deste projeto, assegurar a permanência destes afluentes para as próximas gerações” frisou.

Com informações da Ascom/Sisema


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