Prévia da inflação desacelera para 0,06% em junho, menor taxa para o mês em 13 anos
As quedas nos preços dos alimentos e dos combustíveis ajudaram a desacelerar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15),
que saiu de 0,35% em maio para 0,06% em junho, conforme divulgado ontem (25/06) pelo IBGE.
Esse foi o menor resultado para um mês de junho desde 2006, quando a prévia da inflação foi de -0,15%.

Editado/publicado em 26/06/19


A safra agrícola contribuiu para a desaceleração dos preços dos alimentos - Foto: Simone Mello/Agência IBGE

Com a safra agrícola, os preços de alguns produtos importantes do grupamento alimentação no domicílio recuaram, o que contribuiu para a deflação de 0,64%. Destaque para feijão-carioca (-14,99%), tomate (-13,43%), feijão-mulatinho (-11,48%), batata-inglesa (-11,30%), feijão-preto (-8,84%) e frutas (-5,25%). A alimentação fora do domicílio também contribuiu para a desaceleração, recuando 0,33% em junho, depois de ter subido 0,48% em maio.

O IPCA-15 também foi puxado para baixo pela queda de 0,67% nos preços dos combustíveis, que haviam subido 3,30% no mês anterior. Enquanto a gasolina desacelerou de 3,29% em maio para 0,10% em junho, o etanol passou de uma alta de 4% para uma queda de 4,57%, no mesmo período. No entanto, um item do grupo dos Transportes foi no sentido oposto e exerceu o maior impacto positivo (0,06 ponto percentual) sobre o IPCA-15 de junho: as passagens aéreas, que subiram 18,98%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,33%. Em 12 meses, o acumulado ficou em 3,84%, abaixo dos 4,93% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Já o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado no trimestre, foi de 1,13%.

Em cinco das 11 áreas pesquisadas para o cálculo do IPCA-15 houve deflação. O menor índice foi na região metropolitana de Porto Alegre (-0,21%), com as quedas nos preços das frutas (-12,71%) e da gasolina (-2,64%). Já o maior resultado foi em Brasília (0,30%), devido à alta nos preços das passagens aéreas (19,10%).

Período TAXA
Junho de 2019 0,06%
Maio de 2019 0,35%
Junho de 2018 1,11%
Acumulado no ano 2,33%
Acumulado nos 12 meses 3,84%
IPCA-E 1,13%

O grupo Alimentação e bebidas, que havia ficado estável em maio (0,00%), apresentou deflação (-0,64%) em junho, exercendo o impacto negativo mais intenso sobre o índice do mês: -0,16 ponto percentual (p.p.). No lado das altas, a maior variação positiva ficou com Saúde e cuidados pessoais (0,58%) e o maior impacto (0,08 p.p.), com o grupo Habitação (0,52%). Os demais grupos oscilaram entre o 0,00% de Comunicação e o 0,25% de Transportes, cujo impacto no índice do mês foi de 0,05 p.p.

Grupo Variação Mensal (%) Impacto Variação Acumulada (%)
(p.p.)
Abril Maio Junho Junho Trimestre 12 meses
Índice Geral 0,72 0,35 0,06 0,06 1,13 3,84
Alimentação e Bebidas 0,92 0,00 -0,64 -0,16 0,27 4,72
Habitação 0,36 0,55 0,52 0,08 1,44 4,95
Artigos de Residência 0,41 -0,36 0,01 0,00 0,06 3,68
Vestuário 0,57 0,38 0,09 0,01 1,04 0,07
Transportes 1,31 0,65 0,25 0,05 2,22 3,04
Saúde e Cuidados Pessoais 1,13 1,01 0,58 0,07 2,74 4,89
Despesas Pessoais 0,12 0,16 0,11 0,01 0,39 3,54
Educação 0,06 0,00 0,09 0,00 0,15 4,86
Comunicação -0,05 -0,04 0,00 0,00 -0,09 -0,17
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

O resultado do grupo Alimentação e bebidas (-0,64%) foi influenciado pela queda no grupamento da alimentação no domicílio (-0,82%), com destaque para feijão-carioca (-14,99%), tomate (-13,43%), feijão-mulatinho (-11,48%), batata-inglesa (-11,30%), feijão-preto (-8,84%) e frutas (-5,25%). Já os preços do leite longa vida (2,80%) e das carnes (0,64%) subiram de maio para junho, com impactos de 0,03 p.p. e 0,02 p.p., respectivamente. A alimentação fora, após a alta de 0,48% em maio, também registrou queda de preços (-0,33%), principalmente por conta do item refeição (-0,87%).

Em Habitação (0,52%), o maior impacto (0,02 p.p.) veio da energia elétrica (0,64%), que havia subido 0,72% no mês anterior. Após a vigência da bandeira tarifária amarela em maio, que onerava as contas de luz em R$0,01 por quilowatt/hora consumido, voltou a vigorar, em junho, a bandeira verde, sem cobrança adicional.

As variações regionais vão desde a queda de 0,58% na região metropolitana do Recife até a alta de 3,51% na região metropolitana de Belo Horizonte, onde houve reajuste médio de 7,89% nas tarifas, a partir de 28 de maio. Em Recife, apesar do reajuste de 5,56% nas tarifas em 29 de abril, houve redução de PIS/COFINS, o que levou à variação negativa no mês. Outras áreas com reajuste foram Fortaleza (2,04%), com reajuste de 7,39%, e Salvador (1,38%), onde houve reajuste médio de 6,21%, ambas a partir de 22 de abril.

Ainda em Habitação, a variação de 3,15% no gás encanado decorre, especialmente, do reajuste de até 27,00% nas tarifas em São Paulo (9,57%), vigente desde 31 de maio. A variação negativa do Rio de Janeiro (-0,86%) foi consequência da redução média de 1,40% nas tarifas, desde 1º de maio.

Já o item taxa de água e esgoto (1,16%) reflete reajustes nas seguintes regiões: São Paulo (4,05%) – reajuste de 4,72%, a partir de 11 de maio; Brasília (1,48%) – reajuste de 3,45%, a partir de 1º de junho, em complemento ao reajuste anterior de abril; Salvador (0,16%) – reajuste de 4,70%, a partir de 12 de junho.

Cabe destacar o resultado do item gás de botijão (0,34%), após o reajuste de 3,43% concedido pela Petrobras, nas refinarias, a partir de 5 de maio.

O grupo dos Transportes desacelerou de 0,65%, em maio, para 0,25% em junho. Essa desaceleração ocorreu por conta dos combustíveis, que caíram 0,67%, frente à alta de 3,30% no mês anterior. A gasolina, que havia subido 3,29% no IPCA-15 de maio, apresentou alta menos intensa em junho, de 0,10%. O etanol, por sua vez, passou de uma alta de 4,00% a uma queda de 4,57%. No lado das altas, destacam-se as passagens aéreas (18,98%), que exerceram o maior impacto individual no índice do mês (0,06 p.p.).

A variação de 0,20% nos ônibus urbanos, também do grupo dos Transportes, é decorrente dos reajustes de 9,09% na região metropolitana de Belém (2,73%), a partir de 5 de junho, e de 7,50% em Goiânia (1,18%), vigente desde 19 de abril. Quanto aos ônibus intermunicipais (0,69%), houve reajustes em: Porto Alegre (0,11%) – reajuste de 6,66%, a partir de 1º de junho; Fortaleza (7,44%) – reajuste de 10,00% a partir de 25 de maio; Salvador (2,07%) – reajustes entre 3,30% e 7,50%, a partir de 6 de maio.

O grupo Saúde e cuidados pessoais (0,58%) também desacelerou em relação à taxa apurada no mês anterior (1,01%), principalmente por conta dos remédios, cuja alta passou de 2,03% em maio para 0,15% em junho. Os itens de higiene pessoal, por sua vez, mostraram aceleração no nível de preços, passando de 0,62% para 1,10% e contribuindo com um impacto de 0,03 p.p. no índice do mês.

Quanto aos índices regionais, de maio para junho, 5 das 11 áreas pesquisadas apresentaram deflação. O menor índice foi na região metropolitana de Porto Alegre (-0,21%) por conta da queda no preço das frutas (-12,71%) e da gasolina (-2,64%). Já o maior resultado foi em Brasília (0,30%), influenciado pela alta nos preços das passagens aéreas (19,10%).

Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%) Variação Acumulada (%)
Abril Maio Junho Trimestre 12 meses
Brasília 3,46 0,85 0,11 0,30 1,26 3,29
Fortaleza 3,49 0,99 0,51 0,28 1,79 4,14
São Paulo 31,68 0,72 0,35 0,16 1,23 4,41
Belo Horizonte 11,23 0,24 0,46 0,10 0,80 3,69
Curitiba 7,79 0,80 0,32 0,04 1,16 3,26
Salvador 7,35 1,06 0,31 0,03 1,40 3,43
Rio de Janeiro 12,46 0,75 -0,06 -0,01 0,68 3,51
Goiânia 4,44 -0,01 1,10 -0,02 1,07 3,66
Recife 5,05 0,90 0,49 -0,03 1,36 3,49
Belém 4,65 0,48 0,56 -0,11 0,93 3,73
Porto Alegre 8,40 1,27 0,33 -0,21 1,39 3,97
Brasil 100,00 0,72 0,35 0,06 1,13 3,84
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados de 16 de maio a 12 de junho de 2019 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de abril a 15 de maio de 2019 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.

Com informações da Agência IBGE


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