Renda da classe média cresce na comparação com 2018
Indicadores mostram uma melhora qualitativa no mercado de trabalho.

Editado/publicado em 13/12/19

Estudo sobre mercado de trabalho divulgado nesta quinta, 12, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca um cenário mais favorável, principalmente em relação à subocupação e ao desalento, com melhoria dos indicadores. A análise tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD) do IBGE e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.

No que diz respeito à subocupação, a participação do grupo de ocupados que trabalham menos de 40 horas semanais, mas que estão disponíveis e/ou gostariam de trabalhar mais, recuou em relação ao total da ocupação. Com essa melhora, a taxa combinada de desocupação e subocupação ficou em 18,2% no período de agosto a outubro (3º trimestre móvel), 0,2 p.p. abaixo da registrada no mesmo trimestre de 2018.

No mesmo período, na comparação interanual, o contingente de desalentados apresentou a segunda queda consecutiva ao recuar 1,6%. Em relação ao tempo de procura por emprego, o total de desocupados de longo prazo no país também vem recuando.

Uma boa notícia é o crescimento de 1,7% da renda domiciliar da faixa intermediária, que recebe entre R$ 2.461,02 a 4.110,60, na comparação interanual. Em 2017 e 2018 foi justamente essa faixa que mostrou a pior evolução da renda.

Em termos regionais, na comparação com o mesmo período de 2018, o trimestre teve expansão da renda média real no Sudeste (0,1%) e no Sul (2,1%). Em contrapartida, a Região Centro-Oeste registrou queda de 2,6%. O corte por gênero revela que os rendimentos recebidos pelas mulheres tiveram variação positiva (1%), contra uma queda de 0,3% nos homens.

Com relação à idade, os piores resultados nos rendimentos reais médios continuaram com os trabalhadores mais velhos (-6,6%). Com relação à escolaridade, todos os grupos apresentaram quedas nos rendimentos, sendo a maior delas entre trabalhadores com ensino fundamental incompleto (-2,2%). Em relação à idade, destaca-se o melhor resultado (1,6%) dos rendimentos dos ocupados entre 25 e 39 anos.

Na análise por vínculo de ocupação, o setor privado com carteira assinada apresentou queda real de rendimentos (-0,5%) no trimestre móvel encerrado em outubro, na comparação interanual - com exclusão dos empregadores. O destaque positivo ficou por conta dos trabalhadores por conta-própria, cujos rendimentos subiram 2,2% no período, com reversão da queda nos meses anteriores.

De acordo com o estudo, o crescimento dos trabalhadores por conta própria, que em um primeiro momento se creditava à piora do emprego no país, pode estar indicando uma mudança estrutural das relações de trabalho, em grande parte devido á consolidação da “economia de aplicativos”– no gênero Uber, IFood e outros – que tem aberto novas possibilidades de geração de renda.

Estudo completo - Mercado de trabalho

No período recente, a expansão mais moderada da população ocupada impediu uma desaceleração mais significativa da taxa de desocupação. A análise desagregada com os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) mostra, inclusive, uma queda de 1,2% na ocupação entre os trabalhadores mais jovens no terceiro trimestre de 2019 – apesar disso, a taxa de desocupação dos jovens recuou devido à retração de 1,3% da força de trabalho desse segmento. Outros aspectos, entretanto, indicam um mercado de trabalho mais favorável, principalmente em relação à subocupação, ao desalento e ao desemprego de longo prazo, cujos indicadores vêm apresentando trajetórias melhores. No trimestre móvel, encerrado em outubro, a taxa combinada de desocupação e subocupação recuou pela quinta vez consecutiva, ficando em 18,2% e a população desalentada apontou queda de 1,6% na comparação com o mesmo período de 2018. Em relação ao tempo de procura por emprego, observa-se que o contingente de desocupados de longo prazo no país também vem recuando, tendo em vista que, enquanto no último trimestre de 2018, 41,1% dos desempregados estavam nessa situação há pelo menos um ano, no terceiro trimestre de 2019, essa porcentagem recuou para 38,8%. De modo similar, nota-se que a ocupação dos trabalhadores sem carteira começa a perder um pouco de intensidade, cedendo lugar para uma expansão mais forte do emprego formal. Já a dinâmica dos trabalhadores por conta própria, cujo crescimento, em um primeiro momento, foi creditado apenas a uma piora do cenário de emprego no país, pode estar indicando uma mudança estrutural das relações de trabalho, seja por conta do aumento da terceirização, tendo em vista não só a regulamentação da terceirização em um gama maior de atividades, mas também devido à consolidação da “economia de aplicativos”, que tem aberto novas possibilidades de geração de renda.

Os microdados da PNAD contínua revelam ainda que, embora no terceiro trimestre de 2019 a maior retração salarial tenha ocorrido na faixa de renda mais alta (-0,66%), no acumulado do ano, a queda é maior para o segmento de renda mais baixa, cuja renda domiciliar recuou 0,87%, ao passo que no grupo mais rico da população houve um incremento de 1,1%. No terceiro trimestre de 2019, a renda média real domiciliar das famílias mais pobres era 30,5 menor que à observada na faixa mais abastada da população – mesmo razão entre rendimentos observada no segundo trimestre. No ano de 2019, apesar da ampliação da desigualdade entre os extremos da distribuição da renda do trabalho, o crescimento relativamente maior do rendimento das faixas intermediárias da distribuição resultou numa relativa estabilidade do Índice de Gini.

Estudo completo - Mercado de trabalho: Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro Roberto Albrecht Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho


Texto completo com a análise detalhada sobre a conjuntura do mercado de trabalho: arquivo em PDF.

Com informações da Assessoria de Imprensa e Comunicação - IPEA


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