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Secretaria de Educação intensifica ações da campanha Afroconsciência no mês da Consciência Negra
Atividades acontecem durante o mês nas escolas estaduais de todo o Estado. Desfecho será no dia 20 de novembro,
com a 3ª edição da Caminhada da Promoção da Igualdade Racial.

Editado/publicado em 08/11/17


Na abertura do mês da consciência negra, em Juiz de Fora, instalação denominada “Vidas Negras Importam”, em homenagem aos jovens que morreram em 2017
na cidade de Juiz de Fora, foi montada em calçadão. Foto: Naiara Britto

No dia 20 de novembro, o país celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, data escolhida por marcar o dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores símbolos de resistência e luta contra a escravidão. Por essa razão, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) intensifica, durante todo o mês de novembro, as ações da Campanha Afroconsciência, iniciativa que visa reconhecer e valorizar a história e a cultura dos africanos na formação da sociedade brasileira.

Para marcar a data estão previstas diversas atividades nas escolas da rede estadual de ensino, como palestras, capacitações e apresentações culturais, além da realização da Caminhada da Promoção da Igualdade Racial, no dia 20 de novembro, que chega à sua terceira edição.

Para a superintendente de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino da SEE, Iara Pires Viana, um dos principais pontos que precisam ser ressaltados no mês de novembro é o fortalecimento da Campanha Afroconsciência em todo o Estado.

“Em 2015, apenas 20% das escolas estaduais apresentavam trabalhos referentes à Lei 10.639/03. Hoje, 70% apresentam excelentes projetos relacionados à História da África e cultura afro-brasileira. E isso é resultado do fomento realizado desde o início desta gestão”, comenta Iara.

A Lei nº 10.639 tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio e serviu de base para que as Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e as escolas estaduais desenvolvessem atividades e resgatassem a contribuição do povo negro nas áreas social, cultural, econômica e política brasileira.

Dando a largada na programação do mês da Consciência Negra foi iniciada, no dia 1º de novembro, em Juiz de Fora, no Território Mata, a ação “20 Dias de Ativismo Contra o Racismo”, realizada pelo movimento Convergência Negra, em parceria com a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora, com o Conselho Municipal para Promoção da Igualdade Racial e outros movimentos negros do município.

São dezenas de atividades realizadas diariamente, até o dia 20 de novembro, com a finalidade de mobilizar a sociedade civil, escolas estaduais, associações e ativistas sociais no sentido de reivindicar políticas públicas que visem o combate à crescente mortalidade de jovens negros e à disparidade social entre negros e brancos na cidade de Juiz de Fora. A programação conta com rodas de conversa, apresentações e intervenções culturais, debates e outras iniciativas.

A abertura contou com uma instalação denominada “Vidas Negras Importam”, em homenagem aos jovens que morreram em 2017 na cidade de Juiz de Fora, com o objetivo de sensibilizar a sociedade no sentido de repudiar o alto número de homicídios na cidade e a escassez de equipamentos e políticas públicas para a juventude.

A programação completa dos “20 Dias de Ativismo Contra o Racismo”, que inclui atividades em diversas escolas estaduais da cidade, pode ser consultada na página do movimento Convergência Negra no Facebook: www.facebook.com/Convergência-Negra-Juiz-de-Fora-1934117916802839/.

A Superintendente Regional de Ensino de Juiz de Fora, Fernanda Moura, conta que as escolas estaduais estão promovendo diversas atividades para discutir a igualdade racial, tendo como desfecho a caminhada no dia 20 de novembro. “Juiz de Fora tem uma enorme desigualdade racial e apresenta a maior taxa do estado de genocídio de jovens negros. A mobilização das escolas e da sociedade como um todo é muito importante para que a gente possa trabalhar intensamente com a temática, não apenas no mês de novembro, mas durante todo o ano”, explica. Dentro desse contexto, a cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata, vem colecionando títulos negativos ao longo de sua história. Juiz de Fora é a terceira cidade do Brasil e a primeira em Minas Gerais onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede os índices de educação, longevidade e renda, mostrou a maior desigualdade entre brancos e negros.


São dezenas de atividades realizadas diariamente, até o dia 20 de novembro, com a finalidade de mobilizar a sociedade civil, escolas estaduais, associações e ativistas sociais.
Foto: Naiara Britto

Para a superintendente Iara Pires Viana, a escola pode ser uma das possibilidades de enfretamento ao genocídio da juventude. “No dia 20 de novembro iremos participar da marcha contra o racismo, pela igualdade e pela vida em Juiz de Fora. A escolha da cidade se reflete diretamente aos números alarmantes com relação à violência contra a juventude negra. E a grande maioria dessa juventude está dentro das nossas escolas públicas”, pontua Iara.

A Secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, estará presente na III Caminhada da Promoção da Igualdade Racial, em Juiz de Fora, e também em diversas atividades para discutir a temática durante o mês de novembro, entre elas, a abertura do 11º Fórum Pela Promoção da Igualdade Racial (FOPPIR), em Cataguases, no dia 17.

Ato em combate ao racismo

Em setembro de 2017, a Escola Estadual Fernando Lobo, em Juiz de Fora, foi alvo de vândalos que picharam uma parte externa do muro da escola com frases de cunho racistas. Diante disso, a comunidade escolar promoveu um abraço simbólico de paz na unidade, em repúdio à atitude.

O caso serviu de motivação para que alunos e funcionários fortalecessem ainda mais as discussões sobre o assunto, já que escola sempre promoveu ações que estimulam o respeito às diferenças e o combate ao racismo.

Dentro das atividades pedagógicas, a unidade de ensino oferece a disciplina Diversidade, que tem como um dos temas abordados a questão racial, além de palestras, gincanas, passeatas e manifestações artísticas, incluindo a cultura afro-brasileira. A unidade, que se tornou um símbolo do combate ao racismo na cidade, será ponto de encontro para a caminhada do dia 20.

Audiência pública

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai realizar, em Juiz de Fora, audiência pública para discutir o enfrentamento à violência e aos homicídios que afetam principalmente a juventude negra e pobre no país. Na audiência, será construindo um documento oficial, que posteriormente será entregue na Câmara Municipal de Juiz de Fora.

Com Informações da SEE/MG - Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais

Service: Divulgação/Educa-Cultural


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