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Valor da produção agrícola nacional tem recorde em 2020 com R$ 470,5 bilhões

O recorde histórico na produção de grãos foi um dos fatores que contribuiu para o resultado.

Editado/publicado em 23/09/21


O recorde histórico na produção de grãos foi um dos fatores que contribuiu para o resultado - Foto: Banco de Imagens

O valor da produção agrícola nacional cresceu 30,4% em 2020, na comparação com o ano anterior, e chegou a R$ 470,5 bilhões, um recorde da série histórica. A área plantada no país totalizou 83,4 milhões de hectares, 2,7% superior à de 2019. Os dados divulgados na quarta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) são da Produção Agrícola Municipal (PAM).

A PAM investiga os principais produtos agrícolas em todos os municípios brasileiros desde 1974. Foram recordes da série histórica o valor da produção agrícola, a área plantada e também a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas que totalizou 255,4 milhões de toneladas, 5,0% maior que a de 2019.

O supervisor da Produção Agrícola Municipal, Winicius Wagner disse que, apesar dos efeitos econômicos da Covid-19, em 2020 o setor agropecuário se destacou pelo desempenho positivo na economia nacional atingindo o valor da produção agrícola nacional de R$ 470,5 bilhões.

“Esse resultado teve origem em dois principais fatores distintos. O primeiro foi o recorde histórico na produção de grãos, que abrange o grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas. Tivemos como principais destaques em 2020 a cultura da soja, do milho, do café e do algodão, todas batendo recorde de produção na série histórica”, disse o supervisor.

“O segundo fator foi a elevação dos preços dos produtos agrícolas. Importantes culturas agrícolas como o arroz e o feijão foram beneficiadas pelo aumento dos preços no ano e também registraram elevado aumento no valor de produção”, completou Winicius Wagner.

Culturas com maior produção

A soja foi uma das culturas que mais contribuíram para o recorde da safra em 2020 com crescimento de 6,5% na comparação com o ano anterior. A produção de soja do país, líder mundial desde 2019, foi de 121,8 milhões de toneladas, gerando R$ 169,1 bilhões. Esse valor é 35,0% superior ao da safra de soja 2019.

O milho também foi destaque, com o valor de produção superando o da cana de açúcar pela primeira vez desde 2008. Com crescimento de 2,8% em relação a 2019, o milho chegou a 104,0 milhões de toneladas que geraram R$ 73,949 bilhões, 55,4% a mais do que em 2019. Já o valor de produção da cana de açúcar foi de R$ 60,8 bilhões.

Em 2020, a produção de algodão herbáceo bateu novo recorde com 7,1 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O Brasil segue como quarto maior produtor mundial da fibra e segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. Motivado pela alta de preços, o valor da produção subiu 19,6% e atingiu R$19,1 bilhões.

Com alta de 54,4% no valor da produção, que chegou a R$ 27,3 bilhões, a safra de café teve forte recuperação frente a 2019. Líder do ranking mundial, a produção brasileira de café cresceu 22,9% e somou 3,7 milhões de toneladas em 2020.

Municípios em destaque

Um total de R$ 106,9 bilhões foi o valor gerado pelos 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola. Isso representa 22,7% do valor total da produção agrícola do país.

Mato Grosso concentra vinte dos 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola. Os outros estados com maior quantidade de municípios são a Bahia e o Mato Grosso do Sul, ambos com seis.

Tendo a soja como principal produto plantado, município de Sorriso (MT) manteve a liderança, com R$ 5,3 bilhões, ou 1,1% do valor nacional. Em seguida estão São Desidério (BA), também com destaque para a soja, com R$ 4,6 bilhões, e Sapezal (MT) com R$ 4,3 bilhões plantando principalmente o algodão herbáceo.

O Mato Grosso foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país, seguido por Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Área cultivada

Em 2020, houve alta de 3,5% na área cultivada com soja, de 3,2% na do milho e de 14,9% na do trigo. Já a área cultivada da cana-de-açúcar recuou 0,9%.



Nos últimos 25 anos, o rendimento médio da soja subiu quase 50%, passando de 2.199 quilos por hectare em 1995 para 3.275 kg/ha em 2020. Já a produção de milho cresceu 387,0% no período, atingindo o segundo maior valor de produção entre os produtos agrícolas, graças à alta no rendimento médio, que mais do que triplicou, chegando a 5.695 kg/ha em 2020.

Já a cana-de-açúcar, apesar da redução (0,9%) na área cultivada em 2020, mais que dobrou sua área de cultivo nos últimos 25 anos, permitindo um aumento de 188,2% no volume produzido. O aumento da procura por carros flex e a ampliação da participação do país no mercado mundial de açúcar tiveram forte influência no crescimento dessa cultura.

Valor gerado pela safra de grãos bate novo recorde, atingindo R$ 295,7 bilhões

A safra do grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas de 2020 (255,4 milhões de toneladas) consolidou-se como a maior registrada em toda a série histórica da PAM, que começa em 1974. As condições climáticas favoráveis, que elevaram o rendimento médio de boa parte das culturas, somadas ao aumento das áreas de cultivo, possibilitaram a nova marca: 5,0% superior ao volume colhido no ano de 2019, que já havia sido recorde.

Os principais responsáveis por esse acréscimo foram a soja, com acréscimo de 7,5 milhões de toneladas; o milho, com incremento de 2,8 milhões de toneladas, e o arroz, com ganho de 722,4 mil toneladas. Apenas girassol, aveia, cevada e centeio registraram queda na produção.

O valor gerado com a produção de grãos cresceu 39,3%, atingindo novo recorde de R$ 295,7 bilhões, influenciado principalmente pelos elevados preços das principais commodities agrícolas no mercado internacional. A soja compôs 57,2% do valor total da produção deste grupo.

O Mato Grosso foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do País, seguido por Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Soja – A produção de soja do país, líder mundial desde 2019, bateu novo recorde em 2020: foram 121,8 milhões de toneladas, 6,5% acima do ano anterior, totalizando R$ 169,1 bilhões, 35,0% a mais do que em 2019.

A safra começou com atraso no plantio, por conta da falta de chuvas no período ideal de semeadura, mas as boas condições climáticas ao longo do desenvolvimento das lavouras favoreceram a cultura, que apresentou um incremento de 2,8% em rendimento médio.

Apenas o Rio Grande do Sul, que era o segundo maior produtor de soja em 2019, apresentou expressiva queda de produtividade (-40,6% no rendimento médio). Mas essas perdas foram amenizadas por mais um ano de crescimento no Mato Grosso (8,8%, totalizando 35,1 milhões de toneladas), o maior produtor nacional, e o Paraná (27,7%, totalizando 20,9 milhões de toneladas), que voltou a ser o segundo maior produtor.

Milho – A produção nacional de milho em 2020 foi recorde na série histórica, chegando a 104,0 milhões de toneladas, com alta de 2,8% ante 2019.

Com preços elevados, os produtores apostaram no cultivo das áreas de milho e soja na safra de verão. Desta forma, a constante queda na área plantada do milho 1ª safra foi estabilizada em 2020, mantendo-se em 4,9 milhões de hectares. Por sua vez, a 2ª safra de milho, com participação de 74,4% na produção total, teve um aumento de 3,0% na produção.

Mato Grosso seguiu em primeiro lugar na produção de milho, com 33,7 milhões de toneladas, quase totalidade colhida durante a 2ª safra, e valor da produção de R$ 19,1 bilhões (alta de 61,6%). Já o Paraná figurou em segundo lugar, com 15,8 milhões de toneladas e valor da produção de R$ 12,6 bilhões (alta de 55,8%). Goiás, na terceira posição, produziu 11,8 milhões de toneladas com valor de R$ 7,6 bilhões (alta de 34,1%).

Sorriso (MT) foi líder dessa cultura no País, com 3,2 milhões de toneladas, seguido por Rio Verde (GO), com 2,2 milhões de toneladas, e Nova Ubiratã (MT), 2,1 milhões de toneladas.

Algodão herbáceo (em caroço) – Em 2020, a produção de algodão herbáceo bateu novo recorde (7,1 milhões de toneladas) com alta de 2,6%. O Brasil segue como quarto maior produtor mundial da fibra e segundo maior exportador, apenas atrás dos Estados Unidos. Com a alta de preços, o valor da produção subiu 19,6% e atingiu R$19,1 bilhões. Com 89,0% da área plantada, Mato Grosso e Bahia lideram a produção de algodão, com valores de produção de R$ 12,8 bilhões (alta de 23,1%) e R$ 4,4 bilhões (alta de 16,3%), respectivamente.

Arroz e feijão – Em 2020, os preços dessa dupla variaram bastante com o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, que gerou aumento de consumo e estocagem.

O preço do arroz teve alta recorde entre o segundo e terceiro trimestre do ano. A alta do dólar contribuiu. A produção ficou estável, mas o valor de produção cresceu 32,7%, gerando R$ 11,6 bilhões. O Rio Grande do Sul respondeu por 69,9% da produção nacional de arroz, com 7,8 milhões de toneladas, seguido por Santa Catarina, com 1,2 milhão de toneladas.

O feijão teve alta semelhante de preços e gerou R$ 10,8 bilhões em valor de produção (alta de 44,2%) das suas 3,0 milhões de toneladas (4,4% a mais que 2019). O Paraná, mesmo com queda de 1,8% na produção, continua o principal produtor de feijão do País, totalizando 624,6 mil toneladas, seguido por Minas Gerais, com 553,1 mil toneladas.

Trigo – 2020 foi marcado pela alta de 15,7% na área cultivada do trigo, que totalizou 2,4 milhões de hectares. Com isso, a produção cresceu 13,5%, chegando a 6,3 milhões de toneladas. O valor de produção cresceu 67,0%, chegando a R$ 6,8 bilhões. O Paraná, maior produtor de trigo do país, teve alta de 30,0% na produção, que chegou a 3,1 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul (2,1 milhões de toneladas) veio a seguir.

Café – O Brasil segue como maior produtor de café do mundo. 2020 foi de bienalidade positiva, mas o clima não foi tão favorável quanto o observado em 2018, último ano de safra cheia. A produção cresceu 22,9%, chegando a 3,7 milhões de toneladas, e o valor de produção subiu 54,4%, somando R$ 27,3 bilhões, graças aos preços no comércio internacional. Do total de café produzido, 76,5%, ou 2,8 milhões de toneladas, era do tipo arábica, com valor de produção de R$ 22,6 bilhões, alta de 66,3% frente a 2019.

Minas Gerais foi responsável por 72,2% de todo o café arábica produzido no país, ao alcançar 2,0 milhões de toneladas, crescimento de 38,3% em relação a 2019. O valor da produção de café arábica no estado foi de R$ 16,5 bilhões. São Paulo, segundo maior produtor de café arábica, a produção cresceu 18,18%, chegando a 344,6 mil toneladas e a R$ 2,9 bilhões.

Fonte: IBGE / gov.br

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