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CineBH discute impacto das tecnologias de vigilância no cinema

Mostra Internacional de Cinema começa hoje em Belo Horizonte.

Editado/publicado em 28/09/21


Divulgação


De 28 de setembro a 3 de outubro acontece a 15ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, de maneira gratuita e 100% online, com filmes, debates, rodas de conversa e as atividades do Brasil CineMundi – 12th Internacional Coproduction Meeting.

O tema desta edição, definido pelo trio de curadores Pedro Butcher, Francis Vogner dos Reis e Marcelo dos Reis é instigante: “Cinema e Vigilância” e enxerga os mecanismos de vigilância e controle como elementos de investigação e estética audiovisual na história do cinema.

A base das discussões, que estará espalhada pelos filmes e demais atividades, remete à própria história do audiovisual. Desde a invenção das tecnologias que permitiram a captação e reprodução da imagem em movimento, no final do século 19, os conceitos de “cinema” e “vigilância” caminham lado a lado, ajustando-se a cada novo tempo e avanço técnico. Filha do capitalismo industrial e símbolo da modernidade, a captação de imagens pela câmera nasce como produtora de encantamento, graças à capacidade de registrar e reproduzir a vida num recorte de tempo e espaço, e paradoxalmente como um dispositivo para possibilidades até então inéditas de vigilância e controle social e individual. Um exemplo clássico é a famosa cena de Tempos Modernos, de Charles Chaplin, na qual o trabalhador é alertado pelo dono da fábrica, através de uma tela, de que seus movimentos estão sob escrutínio.

Ao longo de toda a história do cinema, a dimensão vigilante possibilitada pelas câmeras emerge em diversas obras, seja como temática disparadora de conflitos (Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, de Fritz Lang, em 1960, ou A Conversação, de Francis Ford Coppola, em 1974) ou como elemento da estética, seja na ficção ou no documentário (Guerra sem Cortes, de Brian De Palma, em 2007, ou Videogramas de uma Revolução, de Harun Farocki, em 1992). Com a chegada das tecnologias digitais, a relação entre a produção de imagens e a questão da vigilância se intensificou e se potencializou graças à multiplicação das câmeras de segurança e à onipresença das câmeras digitais, agora em qualquer smartphone ao alcance das mãos de quase todos nós.

“Esse novo estatuto da vigilância que surge com as novas tecnologias atravessa a economia, os costumes e todo o nosso imaginário, influenciando a imaginação de cineastas e orientando uma nova intersecção entre estética e política, privacidade e espetáculo, linguagem e fato”, destaca Pedro Butcher, um dos curadores da 15ª CineBH. “Em tempos de fake news, o mito da imagem como testemunho já não determina mais que o registro da câmera seja sempre um retrato da realidade. O que a ficção do cinema, durante o século 20, imaginava como distopia de uma sociedade controlada por uma instância de poder invisível, em personagens controladores como o Dr. Mabuse, ganhou uma dimensão inimaginável hoje em dia”.

Apesar de estar presente no cinema desde sempre, a ideia de cinema e vigilância ganhou novo status há exatamente 20 anos, a partir do 11 de Setembro de 2001, quando aconteceram os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, nos EUA. Alegando a necessidade de controle mais intenso para evitar novos ataques terroristas, governos de várias partes dos países ocidentais passaram a implantar políticas rigorosas de vigilância individual, oferecendo supostamente mais segurança em troca de menos privacidade. Num cenário cada vez mais dominado por grandes corporações econômicas movidas pelo consumo (como Google e Amazon), naquilo que o escritor Eugênio Bucci chama de “superindústria do imaginário”, essas brechas permitiram que todo indivíduo seja, em última instância, um consumidor ambulante vigiado por Estado e grupos privados, muitas vezes para interesses mais escusos.

15a CINEBH COMEÇA, ÀS 20HORAS, DESTA TERÇA-FEIRA PELO SITE CINEBH.COM.BR COM PERFORMANCE AUDIOVISUAL E DEBATE QUE APRESENTA E DISCUTE OS CONCEITOS DE “CINEMA E VIGILÂNCIA” QUE SERÃO CENTRAIS NESTA EDIÇÃO.

Todas as atividades poderão ser acompanhados pelo site:

DIVULGAÇÃO CULTURA CIDADÃO

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