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Produtos com tecnologia EPAMIG ajudam a impulsionar turismo gastronômico em Minas Gerais

Vinhos, azeites, cafés e queijos atraem turistas para diferentes regiões.

Vinhos, azeites, cafés e queijos atraem turistas interessados em todo ciclo de produção em diferentes regiões do estado.

Editado/publicado em 28/01/21


Quando se trata de turismo do vinho, ou do enoturismo, o destaque vai para municípios do Sul de Minas e da região da Mantiqueira - Divulgação / Epamig

O estado de Minas Gerais, com seus encantos e roteiros turísticos de tirar o fôlego, foi eleito como um dos destinos mais acolhedores do mundo de acordo com o ranking global do Traveller Review Awards 2021. Essa é a primeira vez que destinos brasileiros estão na lista dos “dez mais”. A hospitalidade dos mineiros, as riquezas históricas, as belezas naturais e, claro, as comidas típicas estão alçando voos cada vez mais internacionais.

E por falar em comidas, a gastronomia mineira conquista paladares e corações de milhares de turistas todos os anos. Nesse sentido, os incentivos do Governo de Minas à pesquisa agropecuária é fundamental para transformar a culinária do estado em verdadeiras atrações turísticas.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) colabora para impulsionar o setor gastroturístico do estado. O objetivo é gerar tecnologias para impulsionar o mercado de produtos tipicamente mineiros e torná-los cada vez mais conhecidos. Os vinhos, azeites, cafés e queijos com tecnologia EPAMIG, premiados em concursos internacionais, são atrativos para turistas em várias regiões do estado.

Vinhos

Cada viagem gastronômica é uma aventura. Quando se trata de turismo do vinho, ou enoturismo, o conceito de aventura alcança patamares bem mais elevados nos municípios do sul de Minas e da região da Mantiqueira.

Graças a pesquisas da EPAMIG desenvolvidas desde o início dos anos 2000, a tecnologia da dupla poda foi implantada em uma série de municípios e hoje é possível produzir vinhos finos de inverno, atrair visitantes e proporcionar experiências gastroturísticas encantadoras para o paladar e para os olhos. A pequena Andradas (MG), situada na microrregião de Poços de Caldas, já colhe bons resultados

A Casa Geraldo é um exemplo de vinícola que possibilita ao turista conhecer as estruturas da propriedade, passear pelos vinhedos, experimentar vinhos premiados e aprender mais sobre técnicas de degustação da bebida. Segundo o sócio-proprietário, Luiz Henrique Marcon, a ideia de proporcionar uma experiência tão completa surgiu no ano 2000, época em que foi construído o complexo turístico da vinícola e lançada a primeira linha de vinhos finos da casa.

“A ideia é fazer com que nosso complexo promova nossa marca e que a gente consiga agregar mais valor aos nossos produtos. Para nós, o enoturismo é muito importante porque ganhamos com a produção dos vinhedos e também vendemos a experiência com a viticultura. Isso se tornou mais um produto de sucesso”, destaca Luiz Henrique.

O jovem empresário conta que, antes da pandemia de Covid-19, a vinícola recebia cerca de mil visitantes por semana, número que tende a ser restabelecido e superado em breve. Ainda segundo ele, investimentos estão sendo feitos para construção de mais vinhedos com estrutura para visitação e há planos de construção de outra vinícola.

O fundador da vinícola Stella Valentino, José Procópio Stella, também situada em Andradas (MG), chama atenção para o fator impulsionador que o enoturismo causa em outras cadeias produtivas do município. Para ele, o vinho atua como um ‘chamariz’ que beneficia redes hoteleiras, restaurantes, artesãos e demais indústrias locais.

“O vinho, por natureza, é um produto que chama turistas. Isso ocorre no mundo inteiro. Em Minas Gerais não é diferente, principalmente depois que começamos a produzir vinhos finos com o auxílio das tecnologias da EPAMIG. Creio que nós temos potencial para produzir vinhos em praticamente todo o estado, não só na Mantiqueira, e isso gera riquezas não apenas para as vinícolas. Um mercado que não para de crescer”, enfatiza José Procópio.

A histórica Diamantina, localizada na região do Jequitinhonha, é mais um exemplo de município mineiro que se prepara para produzir bons vinhos, a partir de tecnologias da EPAMIG, e receber turistas interessados na bebida. O empresário Leonardo de Andrade, da vinícola Quinta do Campo Alegre, afirma que a ideia de explorar o potencial enoturístico do município surgiu em 2016, ano que registrou boas safras da bebida.

“O enoturismo, ou gastroturismo, possui um apelo inestimável. Visitar um lugar tão lindo e histórico como Diamantina, ter a oportunidade de fazer um ‘tour’ por uma vinícola, poder degustar e ainda levar um vinho feito nessas terras para casa é algo realmente fantástico e inimaginável até pouco tempo”, comemora Leonardo

Azeites

Em 2008, a EPAMIG foi a empresa responsável pela extração do primeiro azeite extravirgem brasileiro. O feito ocorreu no pequeno município de Maria da Fé (MG), na Mantiqueira, e hoje a região conta com cerca de 200 olivicultores e 60 marcas de azeites destaques em circuitos gastronômicos e detentoras de prêmios nacionais e internacionais.

O azeite também embala roteiros e desperta a curiosidade de turistas na região da Mantiqueira. Segundo o pesquisador da EPAMIG em olivicultura, Pedro Moura, grande parte dos produtores locais estão focados no gastroturismo. O modelo de negócio consiste em equipar as propriedades para proporcionar aos turistas imersões completas na produção do azeite.

Em Poços de Caldas (MG), o empresário Moacir Carvalho Dias administra a fazenda Irarema a partir dessa visão. O empreendimento é familiar e inclui restaurante, cafeteria e visitas à propriedade que foi fundada em 1870, o que torna o destino ainda mais acolhedor. De acordo com Moacir, a fazenda recebe, em média, 500 visitantes por final de semana, mas o número chega a dobrar em feriados prolongados.

O empresário afirma que o gastroturismo é responsável pela maior parte dos ganhos financeiros da marca. Ele conta que dificilmente a fazenda sobreviveria apenas com a venda de azeites em lojas e supermercados. A possibilidade de atrair visitantes maximiza os lucros, diversifica as fontes de renda e gera valor agregado ao produto final, chamado de ‘gourmet’.

“O que mais chama atenção dos turistas durante as visitas é o conjunto da obra. A gente faz um ‘tour’ didático por todo ciclo de produção do azeite. Nós explicamos as etapas, mostramos como é fabricado, promovemos degustações, ensinamos como detectar azeites adulterados e instruímos o turista a sempre comprar azeites brasileiros. Só em 2020 contabilizamos oito mil pessoas que pagaram para fazer esse tour”, pontua Moacir.

Em Maria da Fé, berço do azeite extravirgem brasileiro, alguns produtores também têm investido em maquinários próprios e circuitos para visitas guiadas. O empresário Armando Gonçalves, proprietário da marca Fio de Ouro, construiu uma agroindústria para extrair o próprio azeite e um circuito turístico para receber os visitantes. No ano passado, Armando adquiriu uma máquina extratora capaz de processar 1500 quilos de azeitonas por hora.

Café

Minas é o estado que mais produz café no Brasil e possui o título de melhor café do mundo conquistado no Cup of Excellence, principal concurso internacional de qualidade da bebida. No último mês de novembro, o café produzido com a cultivar Paraíso H419 da EPAMIG, no município de Coromandel, alcançou o 1° lugar na 8ª edição do Prêmio Região do Cerrado. A saca com 60 quilos do café premiado foi leiloada por R$ 20.717,00.

O reconhecimento concedido aos cafés mineiros desperta a atenção de turistas. Para a Q-Grader, Larissa Fassio, o gastroturismo do café tem o poder de transformar as pessoas por meio de estímulos dos sentidos. De acordo com a especialista, o entendimento além dos sabores presentes na xícara promove a valorização do trabalho e do empenho dos produtores.

“Caminhar por cafezais desperta o sentimento de pertencimento, de envolvimento com o processo produtivo como um todo. Faz com que o turista tenha mais consciência na hora de consumir o café. Como consequência, ele valoriza mais o grão e propaga a cultura. Tudo se liga, se encaixa e transforma para melhorar a vida das pessoas”, enfatiza Larissa.

No sul de Minas, principal região produtora do grão, um percurso de 35 quilômetros compõe a ‘Rota do Café’. O trajeto compreende os municípios de Carmo de Minas e São Lourenço e proporciona aos turistas uma experiência única em fazendas centenárias. Já em Patrocínio, maior município produtor de café de Minas (e do Brasil), os turistas têm a possibilidade de visitar uma série de propriedades produtoras de café. Além disso, a Cafeteria do Cerrado atrai apreciadores da bebida por vender cafés premiados em concursos e, até mesmo, exclusivos.

Queijo

Minas Gerais possui a mais antiga escola de laticínios do país, a EPAMIG Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT). Fundado em 1935, o Instituto contribui para a indústria brasileira de produtos lácteos com pesquisas, difusão de tecnologias e cursos técnicos e de capacitação. A empresa também mantém o Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais em São João del-Rei. O Centro dá suporte a cadeia produtiva de queijos de leite cru e recebe apoio dos produtores da região.

Contudo, a tradição queijeira do estado é ainda mais antiga. A combinação entre belezas naturais e o turismo no interior de Minas é tão perfeita quanto a combinação entre um bom queijo artesanal e um café coado na hora. Nada melhor que unir tudo isso em um programa bem mineiro.

O produtor de queijos da Serra da Canastra, Rafael Soares, recebe turistas em sua propriedade e exibe com orgulho todo o processo de confecção de queijos que vai desde a ordenha até a comercialização em queijaria própria, sempre atento às normas sanitárias de produção e comercialização.

Além da Serra da Canastra, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) reconhece como regiões produtoras de Queijos Minas Artesanais (QMA): Araxá, Campos das Vertentes, Cerrado, Mantiqueira de Minas, Serra do Salitre, Serro, Triângulo Mineiro e Serras da Ibitipoca. Minas também possui regiões produtoras de Queijos Artesanais Mineiros (QAM) reconhecidas pelo IMA: Alagoa (Queijo Artesanal de Alagoa), Mantiqueira de Minas (Queijo Artesanal Mantiqueira de Minas), Serra Geral, Vale do Jequitinhonha (Queijo cabacinha) e Vale do Suaçuí (Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí).

Rafael entende que o reconhecimento oficial, aliado ao turismo gastronômico, são responsáveis por conferir valor agregado aos produtos finais. “Um olho na tradição e outro no futuro. Ao atrair um turista para a minha propriedade, interessado em conhecer todo o processo produtivo de um queijo mineiro, eu consigo agregar valor ao meu produto final e não preciso passar por atravessadores que reduzem minha margem de lucro”, finaliza.


Divulgação / Epamig

Com informações da EPAMIG/Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).


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