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Dia da Imunização reforça a segurança das vacinas e a importância da informação

Nunca foi tão importante falar sobre imunização e, neste dia 9/6, em que se celebra o Dia Mundial da Imunização, é necessário também lembrar dos caminhos que fizeram com que as vacinas se tornassem um produto de saúde desejado e seguro.

Editado/publicado em 09/06/21


Divulgação

Para lembrar a importância da imunização, é preciso fazer uma breve viagem no tempo, e voltar ao Brasil do início dos anos 1900, quando a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, teve seus primeiros registros no Brasil. A acadêmica de enfermagem e estagiária do Serviço de Segurança e Saúde do Trabalhador (SSST), Isadora Nepomuceno de Paula Nogueira, conta que os registros mostram que, durante as décadas de 1960 e 1970, foram feitas algumas tentativas de instituir a vacinação de crianças contra a poliomielite, mas ambas não obtiveram resultados satisfatórios.

Somente na década de 1980, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) organizaram um plano de vacinação visando à redução da doença, assim, foi instituído o Dia Nacional de Vacinação, que obteve grande adesão por parte da população. “Estudos mostram que, em 1980, foram registrados 1290 casos da doença, após a vacinação de crianças em âmbito nacional em 1981, esse número foi reduzido para 122 e, em 1982, foram apenas 45 casos”, aponta Isadora. Com a continuidade dessa estratégia, o Brasil recebeu em 1994, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o certificado que informou que o país estava livre da poliomielite.

Patrícia Ferreira Boasquivis, farmacêutica do Serviço de Desenvolvimento de Produtos Biológicos (SDPB) da Funed, lembra que essa certificação foi um ganho para o Brasil, mas que ela não representa a erradicação da doença. Quatro regiões do mundo são certificadas como livres da pólio - Américas, Europa, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, mas ainda existem casos no continente africano, por exemplo, por isso as ações de vacinação precisam ser permanentes. “A OMS traz um dado muito interessante: desde 1988, mais de 18 milhões de pessoas podem andar hoje, pois sem a imunização teriam ficado paralisadas, e 1,5 milhão de mortes infantis foram evitadas graças à vacina contra a poliomielite. Isso reforça a eficácia e a importância da vacinação”, afirma Patrícia.

Esse foi apenas um dos muitos casos de sucesso obtido após ações de imunização efetivas. Entretanto, para entender como esses bons resultados acontecem, é importante entender que não se trata de acaso ou coincidência, mas de pura ciência.

Como as vacinas funcionam

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as vacinas contêm partes enfraquecidas ou inativadas de um determinado organismo (antígeno) que desencadeia uma resposta imunitária do corpo, as mais recentes contêm a matriz para produzir antígenos e não o próprio antígeno. Micaella Pereira Costa, acadêmica que também é estagiária de enfermagem do SSST, faz uma ressalva importante e balizada pela OMS: “Independentemente de uma vacina ser constituída pelo próprio antígeno ou pela matriz para que o corpo possa produzir o antígeno, essa versão enfraquecida não causará a doença na pessoa que recebe a vacina, mas desafiará o seu sistema imunitário a responder como o teria feito na sua primeira reação ao verdadeiro agente patogênico”, afirma.

Para Patrícia, o desenvolvimento de vacinas, hoje, é mais racional e estruturado, e menos empírico. “Devido à pandemia de covid, já chegamos ao cenário antes visto como o futuro (o uso de vacinas genéticas, por exemplo) que só foi possível devido à rápida evolução de técnicas de biologia molecular e engenharia genética, especialmente após a década de 1950”, afirma.

É importante lembrar que a vacinação não só reduz as chances de um surto ou epidemia, mas também evita que a pessoa vacinada seja contaminada por uma doença potencialmente fatal, evitando assim internações e gastos públicos em grande escala, com hospitais, medicamentos, tratamentos e potenciais reabilitações. “Estamos vivenciando neste momento o exemplo da covid-19, no qual, em muitos casos, há necessidade de os pacientes passarem por fisioterapia pulmonar. Dessa forma, a vacinação não somente poupa gastos financeiros, como também representa uma forma de autocuidado e bem-estar fundamental”, acrescenta Micaela.

Embora a imunização ocorra individualmente, as vacinas não foram pensadas considerando apenas a proteção de indivíduos de forma isolada, mas de comunidades inteiras. A maioria das doenças evitáveis por vacina é transmitida de pessoa para pessoa, pelo contato com objetos contaminados ou quando o doente espirra, tosse ou fala, pois ele expele pequenas gotículas que contêm os agentes infecciosos, como é o caso da covid-19, por exemplo.

A infecção pessoa a pessoa se espalha quando um transmissor entra em contato com uma pessoa suscetível. Se o transmissor só entrar em contato com indivíduos imunes, a infecção não se espalha além do caso inicial e é rapidamente controlada pela população. Micalella lembra que, curiosamente, essa cadeia de transmissão humano a humano pode ser interrompida, mesmo que não haja 100% de imunidade de certos grupos, porque os casos transmissores não têm contatos infinitos. “É a conhecida ‘imunidade de rebanho’ ou ‘proteção da comunidade’, que é um benefício importante da vacinação. De qualquer forma, todos precisam se esforçar para se vacinar, para compensar a parte da população que, por motivos de saúde por exemplo, não pode ser vacinada”, reforça Micaella.

Desafios

Mesmo diante das estatísticas positivas, a imunização ainda enfrenta importantes barreiras a serem transpostas, uma delas é a hesitação em se vacinar.

Tanto que a OMS listou esse fator como uma das 10 maiores ameaças à saúde global no ano de 2019. Patrícia explica que a hesitação à vacina consiste na relutância ou recusa em se vacinar apesar da disponibilidade de vacinas, e se estima que já atinja mais de 90% dos países do mundo, mostrando ser um problema global. “O fator cultural é ainda mais evidente quando se avaliam comunidades específicas, separadamente: enquanto a cobertura vacinal contra o sarampo atinge a marca de 91,5% nos Estados Unidos (ainda abaixo do limite de 95% estabelecido pela OMS para o estabelecimento da imunidade de rebanho), a cobertura chega apenas a 60% entre alguns grupos religiosos, por exemplo”, aponta.

Patrícia lembra, ainda, que o sarampo é o principal exemplo das consequências do impacto da hesitação à vacina. “Estudos mostram que muito países que estavam perto de erradicar a doença estão assistindo ao ressurgimento do sarampo enquanto a cobertura vacinal cai. Isso não foi diferente para a covid-19: as campanhas de vacinação contra a doença têm focado não somente na eficácia e segurança dos imunizantes, mas também na sua aceitação entre as populações, que ainda não atingiu os níveis ideais em diversas nações”, acrescenta a farmacêutica.

Direito de todos

A imunização é um direito humano, além de ser um componente fundamental da atenção primária. Poucas medidas em saúde pública podem ser comparadas ao impacto das vacinas, pois elas reduzem doenças, incapacidades e mortes por uma variedade de doenças infecciosas. De acordo com a OMS, atualmente, existem vacinas para a prevenção de mais de 20 doenças fatais, evitando, assim, cerca de 2 a 3 milhões de mortes todos os anos por doenças como difteria, tétano, coqueluche, influenza e sarampo.

Fonte: SES - Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais/Funed - Fundação Ezequiel Dias


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