Governo anuncia medidas de enfrentamento à violência contra a mulher
"Nós temos que criar meios para dissuadir os agressores", disse o presidente.

Editado/publicado em 26/11/19


Solenidade do dia do enfrentamento à violência contra a mulher. Foto: Carolina Antunes/PR

No dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, o Governo Federal anunciou medidas para coibir o problema. Entre elas, campanha para sensibilizar, esclarecer e convocar os brasileiros para uma união nacional contra o crime.

“Nós temos que criar meios para dissuadir os agressores. Criar normas, leis, que os façam sentir, que os façam cada vez mais se arrependerem dos seus atos. É uma política que continua, que se acelera em nosso governo”, disse o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Maria (nome fictício) tem uma história de violência doméstica e resolveu que o melhor era falar e denunciar seus agressores. Aos 46 anos, com três filhos, Maria não ficou calada. No primeiro relacionamento, disse que o filho foi testemunha na delegacia. No segundo, embora não tenha sofrido violência física, contou que foi extorquida e saqueada. Já no terceiro relacionamento, Maria acreditou no futuro sem agressões.

“Conheci um homem que não bebia e achei que era o homem da minha vida. Com três meses, comecei a ver indícios. Já tenho idade pra saber o que é bom pra mim. Mas, quando tentei sair, comecei a sofrer agressões físicas de andar toda roxa no condomínio e ele confiscou meu telefone”. Ela contou que durante os anos aprendeu a se valorizar, denunciou o ex-parceiro e busca novos caminhos na vida.

Maria não é exceção. No Brasil, 536 mulheres são agredidas fisicamente por hora; 66% das mulheres, entre 16 e 24 anos, sofreram algum tipo de assédio no último ano; 70% das agressões ocorrem dentro de casa; e 65% dos agressores são os próprios parceiros ou ex.


Medidas de enfrentamento à violência

Ministra Damares Alves/ Foto: Marcos Corrêa/PRNo Palácio do Planalto, a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, anunciou que a partir de janeiro do ano que vem todas as delegacias do país também serão delegacia da Mulher. Segundo a ministra, só 9% dos municípios brasileiros possuem delegacia da Mulher, e 19% algum órgão de defesa da mulher.

“Vamos capacitar todos os agentes de delegacias do Brasil. Vamos capacitar todos os delegados. Nem que seja uma salinha pequenininha, todas as delegacias do país estarão capacitadas para receber mulheres”, explicou.

Novidade também no Ligue 180. A partir de janeiro de 2020, o canal irá ter serviço por videoconferência para atender também às mulheres surdas. Já o programa Salve uma Mulher vai capacitar profissionais de diferentes áreas para reconhecer e ajudar uma mulher vítima de violência. De acordo com a ministra, serão qualificados 340 mil agentes de saúde, 106 mil agentes dos Correios, 30 mil conselheiros tutelares, 1.722 defensores públicos da União e 400 mil médicos. “Em três anos, serão quatro milhões de pessoas”, disse a ministra.

Campanha de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher 2019

Para que mais mulheres denunciem abusos, maus tratos e qualquer tipo de violência, a Secretaria Especial de Comunicação (Secom) lançou, nesta segunda-feira (25), a Campanha de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher 2019.

Com a hashtag #vctemvoz, a campanha quer incentivar as mulheres a não se calarem em caso de agressões, acionando a Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180.

Governo lança campanha para sensibilizar e convocar população para enfrentar violência contra a mulher
Ação divulga mensagens como “Não se cale” e “Você tem voz” em televisão aberta, rádios, redes sociais, cinema e mídia externa


Este clipe faz parte de uma campanha do Governo Federal com a participação da dupla Simone & Simaria, para conscientizar as mulheres sobre a importância de usar a voz como forma de protesto para denunciar atos de violência e também divulgar o canal de denúncia, o Ligue 180

No Brasil, a cada seis minutos, um caso de violência contra a mulher é registrado pelo Ligue 180, um serviço de utilidade pública criado para receber as denúncias de agressões. Com o objetivo de sensibilizar, esclarecer e convocar os brasileiros para uma união nacional no combate a esse grave problema, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República lançou, nesta segunda-feira (25), a campanha publicitária “Enfrentamento à Violência Contra a Mulher – 2019”.

O anúncio foi feito durante cerimônia que também celebra o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher, instituído em 25 de novembro de 1999 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A solenidade contará com as presenças do presidente da República Jair Bolsonaro e da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A campanha, gerenciada pela Secom, apresenta três vídeos publicitários sendo um deles um clip com participação de artistas. Além desses produtos a serem veiculados em televisão aberta, a ação engloba spots de rádios, e peças para internet e cinema.

A ação publicitária será lançada no momento em que o País recebeu, apenas nos primeiro seis meses deste ano, por meio do Ligue 180 do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), 46.510 denúncias de violações contra mulheres, um aumento de 10,93% em relação a igual período do ano anterior. Os dados são da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério. Em 2018, o canal recebeu 92.663 denúncias, de acordo com o Sistema Integrado de Atendimento à Mulher.

A violência contra mulheres assume muitas formas, indo muito além da física, alcançando um amplo espectro econômico-social. Violência contra a mulher é qualquer conduta - ação ou omissão - de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados.

Entre as denúncias registradas em 2019, estão: ameaças (1.844), cárcere privado (1.243), feminicídio (36), tentativa de feminicídio (2.688), homicídio (6), tentativa de homicídio (67), trabalho escravo (14), tráfico de mulheres (16), violência contra a diversidade religiosa (11), violência doméstica e familiar (35.769), violência física (1.1050), moral (1.921), obstétrica (116), policial (385), sexual (1.109) e virtual (180).

Mais informações no site:

Fonte: Planalto/BR

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