Entender a dor do outro é parte do viver em sociedade
Doutor alerta para necessidade de olhar com atenção todos os casos para prevenir quadros psíquicos graves.

Editado/publicado em 18/05/18

Foto: Aneek Bangabash/Wikimedia Commons

O adoecimento psiquiátrico ainda hoje é tratado como tabu pela sociedade.

O preconceito leva a uma tendência de minimização do impacto que o sofrimento psíquico causa nas pessoas afetadas, afirma Eduardo Humes, psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Psiquiatria do Hospital Universitário e do Grupo de Assistência Psicológica ao Aluno da Faculdade de Medicina da USP.

O doutor lamenta essa realidade por entender que a preocupação com a dor do outro é parte do estar em sociedade e deveria ser um tema de engajamento de todos.

Humes conta que o sofrimento psíquico é caracterizado por um conjunto de condições que leva o indivíduo à dor, tendo sido essa causada por reatividade ao ambiente – como o luto ou um momento difícil na vida – ou por um quadro psiquiátrico. O doutor alerta para a necessidade de olhar com atenção mesmo os casos que não configuram quadros mais graves, justamente para evitar que eles se tornem doenças e levem a prejuízos maiores, como danos por uso de drogas e suicídio.

Além do cuidado com quem já parece estar sofrendo, Humes lembra da importância de intervenções individuais e coletivas que envolvam mesmo os que estão bem, cotidianamente.

A adoção de hábitos de vida saudável – como alimentação balanceada, prática de esportes, exposição ao sol e técnicas de meditação – e a promoção de ambientes de convivência sadios – com rodas de conversa, atividades de socialização e espaços de entretenimento – servem para diminuir os impactos negativos do ambiente sobre o organismo.

O psiquiatra indica que as pessoas estejam sempre atentas ao seu redor e, ao menor sinal de sofrimento psíquico do outro, não se calem.

Ele sugere que se ofereça companhia, pergunte como pode ajudar e auxilie o colega na busca por apoio, inclusive médico. Humes lembra que pessoas que estão no seu “limiar” e convivem com quem está sofrendo estão mais suscetíveis a desencadear quadros de burnout ou mesmo de ansiedade e depressão.

Dentro da USP, o doutor conta que o debate sobre o tema está mais presente entre alunos, professores e funcionários, e avalia isso de forma muito positiva. Estão sendo colocados de lado os estigmas relacionados a essas doenças, completa.

Sobre o atendimento dentro da Universidade, trabalhadores da USP, docentes e estudantes têm direito a consultas no Hospital Universitário, que devem ser agendadas.

Ouça a entrevista do Dr. Eduardo Humes/Rádio USP:

Fonte: Jornal da USP/Rádio USP


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